segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um vilão da Psoríase

Gabriel Hamilko, para a Gazeta do Povo


A proximidade do inverno coincide com o aumento dos sintomas da psoríase, uma doença de pele ainda cercada de grande tabu e que atinge entre 1% e 2% da população mundial. A baixa umidade do ar, o maior ressecamento da pele e a menor exposição ao sol são os principais fatores que agravam este problema crônico caracterizado, principalmente, por manchas avermelhadas na pele, com a presença de escamas esbranquiçadas.

“Por isso, as pessoas com psoríase devem tomar um cuidado redobrado no inverno e usar ainda mais hidratantes. A boa hidratação da pele colabora para o controle dos sintomas”, explica o dermatologista Caio Castro, coordenador do Ambulatório de Psoríase da Santa Casa de Curitiba. Ele também lembra que os banhos quentes e mais demorados, um dos prazeres do inverno, acabam invariavelmente ressecando o corpo e piorando ainda mais o quadro de quem sofre da doença.
Causas
A psoríase é uma inflamação crônica, não contagiosa, estando associada a fatores genéticos, ambientais (estresse, infecções e medicamentos) e imunológicos (alterações do sistema de defesa). Também pode acometer as articulações, por vezes deixando deformidades.
Apesar de não ter cura, os tratamentos são diversos, conforme o nível e o tipo de psoríase. Para quem apresenta um estágio inicial, os médicos receitam pomadas específicas que hidratam a pele. Já quem tem um quadro mais avançado recorre a sessões de fototerapia com raios ultravioletas A e B e banhos regulares de sol. 
Uma das piores situações é a artrite psoríatica, quando são medicados remédios biológicos mais caros. O aposentado Sérgio Amoroso teve a sua primeira crise em 2000, com 43 anos. A ocorrência foi na unha e sem saber o que se tratava, procurou vários dermatologistas, que diagnosticavam como uma micose.

Quando foi descoberto que o real motivo era psoríase, a doença já tinha se espalhado pela perna, alcançado os joelhos e evoluído para a artrite. “A dificuldade que eu sinto é a desinformação das pessoas, que têm atitudes preconceituosas com a gente e o tratamento com os remédios biológicos que não é subsidiado pelo governo”, afirma Amoroso. O seu remédio, que dura um mês, custa sete mil reais.

Outro fator que influencia decisivamente no estado do paciente é o psicológico. Situações de estresse, ansiedade e nervosismo aliado a dias frios e sem sol, aumentam as chances do surgimento de lesões.

Tese comprovada por Rudimar Stelmach, que está terminando a sua graduação em psicologia pela Universidade Tuiuti. “Quando uma pessoa fica nervosa, acelera o processo de renovação da pele, que seria de 21 dias para uma semana, causa das descamações. Stelmach tem psoríase há 11 anos e escolheu estudar psicologia, justamente para pesquisar os efeitos do estresse no desencadeamento da doença.


Desconhecimento gera preconceito com os portadores

Deixar à mostra braços e pernas não é uma atitude simples para os portadores de psoríase, pois o preconceito das pessoas ainda é grande, por não entender o que são as marcas da doença. Muitos enfermos acabam se isolando, sem sair de casa e não querendo contato com ninguém.
A psoríase não é contagiosa, mas muitos acabam confundindo com hanseníase. “Nas próprias reuniões familiares eu sofro muito. Quando saio de casa e uso um calção, as pessoas já olham torto e evitam contato, achando que é transmissível”, afirma Sérgio Amoroso, que conseguiu aumentar a sua auto-confiança após participar do grupo de apoio, organizado por Rudimar Stelmach.
Duas vezes por mês, cerca de dez portadores de psoríase se reúnem para trocar experiências e assistir palestras com especialistas, com o objetivo de melhorar a auto-estima. “Muitas vezes o preconceito começa entre a própria pessoa, e o objetivo do grupo é mostrar que é possível ter uma vida normal, mesmo com uma doença que não tem cura”, completa Stelmach.

Quais são as principais recomendações para quem tem ocorrências de psoríase:

·        * Antes de tudo, procure o seu dermatologista, para o diagnóstico correto.
·        * Hidrate a pele, para evitar ressecamentos.
·        * Controle a ansiedade e emoções fortes. Se necessário, procure um especialista para te auxiliar.
·    * Se as lesões aumentarem, mantenha a sua rotina e não fuja do contato com outras pessoas. A psoríase não é contagiosa.
·        * Evite fumar e ingerir bebidas alcoólicas.
·        * Tenha contato com o sol, nos horários mais moderados.


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