Para Honda, a falta de interessados em trabalhar no varejo exige uma nova postura das empresas, que precisam atrair esses trabalhadores e qualificá-los. “Estamos enfrentando uma situação semelhante à que países desenvolvidos enfrentaram anos atrás. As empresas têm de dar mais condições para que os trabalhadores se sintam atraídos pelas vagas abertas”, afirma o presidente da Abras.
A falta de mão de obra e necessidade de qualificação também foi abordada na palestra que antecedeu a abertura da feira, feita pelo vice-presidente de Vendas da Nestlé Brasil, Westermann Geraldes. Para o empresário, o mercado varejista sofre com a falta de aprendizado e preparação para buscar e manter os funcionários do setor.
“Em termos de economia, somos doutores. Porém a falta de empregados é um problema totalmente novo para a gente. Estamos vivendo um apagão de mão de obra. As empresas precisam investir na formação de pessoal. Isso deve ser tratado como prioridade”, alerta Geraldes.
O executivo citou como exemplo a política da própria Nestlé, onde os funcionários são incentivados a se desenvolver, por meio de cursos e qualificações, e seguir carreira dentro da empresa em que começaram, alcançando cargos mais altos com o tempo.
Dentro da própria Mercosuper, o estande da Fecomércio tem o objetivo de incentivar as empresas expositoras a investir mais no treinamento dos funcionários. “Por meio de parcerias com os sindicatos, promovemos e estimulamos uma carga maior de capacitação, através dos vários cursos do Senai ofertados para a área”, afirma Caroline Cattani, técnica de relações de mercado.
Incentivos
Na Agência do Trabalhador de Curitiba são oferecidas mensalmente, em média, 700 vagas de emprego, sendo que mais da metade são para as funções de caixa e repositores. Ontem, a agência tinha em aberto 140 vagas para caixa e 110 para repositores. Segundo a Secretaria de Estado do Trabalho, as principais justificativas para a recusa das vagas são os baixos salários e expedientes nos fins de semana e à noite.
Como estratégia para conseguir funcionários, algumas redes têm apostado em benefícios como vale-transporte, refeitório, assistência médica e odontológica, além de melhores salários. A secretaria cita ainda o caso de um supermercado que, além de conceder dois domingos de folga no mês, passou a oferecer também seguro de vida, participação nos lucros, planos de previdência e convênio com farmácia.
Segundo dados da Abras, existem 1,9 mil empresas mercadistas no Paraná, com 3,6 mil estabelecimentos – metade deles na região metropolitana de Curitiba. O horário da feira vai das 14 h às 22 h. O evento termina amanhã.
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