sábado, 24 de março de 2012

K9: um novo menino do Alto da Glória

Créditos: Gabriel Hamilko
Keirrison ainda é jovem. Antes de entrevistar ele para o GLOBOESPORTE.COM, bati um papo com K9 e perguntei com quem ele já trabalhou no primeiro período que esteve no Coritiba (2006-2009). De cara, lembrou de Vanderlei e Edson Bastos. Com uma ajudinha minha, recordou Pereira, que chegava ao Alto da Glória.

Mas a principal lembrança é dos jovens pratas da casa com quem trabalhou no juvenil. Dois estão bem vivos na memória: o volante Willian e o lateral-esquerdo Lucas Mendes. Keirrison trabalhou com os atletas nas categorias de base e no profissional. Enquanto ele era o artilheiro, Willian e Lucas engatinhavam no time principal do Coxa.

Atualmente, Willian caminha para ser um ídolo da torcida e Lucas Mendes é valorizado, com uma pré-convocação para a Seleção Olímpica. Willian tem 22 anos e Lucas está com 21. Keirrison tem 23. Prova de que dá para voltar um pouquinho na carreira, esquecer o passado, se recuperar e em 2013 mostrar um bom futebol. Fingir que nunca saiu do Coritiba (a não ser levar as boas lições de fora) e resgatar o talento, que está guardado em algum lugar.

Keirrison é jogador para 2013. Por isso, a torcida deve ter paciência e aguardar com mensagem de motivação. Se entrar no segundo semestre, deve ser introduzido aos poucos no time titular.

A seguir, a entrevista exclusiva que fiz com K9, publicada neste sábado, no GLOBOESPORTE.COM.



GLOBOESPORTE.COM: De volta para o Coritiba, qual a sensação quando fez a volta olímpica, no intervalo do jogo entre Coritiba x Nacional-AM?


Keirrison: É um momento muito especial, fiquei até emocionado, pois eu vi o carinho de cada pessoa. Naquele momento procurei ver em crianças, adultos e idosos que estavam ali, um carinho por tudo aquilo que procurei fazer dentro do clube. Se pudesse agradeceria cada um, daria um abraço em cada pessoa que estava lá. São momentos que eu guardo para sempre e fico feliz de voltar para casa.

GE: Uma observação que o técnico Marcelo Oliveira fez era que, nos clubes anteriores faltou um brilho no seu rosto, e que encontrou quando te cumprimentou no vestiário do Couto Pereira. Você também notou a diferença?

Keirrison: Quando estive fora eu também via isso em mim. Acho que o negócio é conhecer os erros e o que está faltando, para que possa evoluir. Mostrar, não só no trabalho, mas na vida pessoal para que cresça. Eu observei isso, quando estava no Cruzeiro, que não estava me sentindo bem. Não pelo Cruzeiro, respeito o time e agradeço pela participação lá, mas não me senti alegre. Precisava de algo a mais. Mais forte. Depois que tive a lesão, pensei e pedi para conversar com o Coritiba, pois era um vazio e precisava da alegria de voltar a jogar e ter emoção de estar no lugar que gosto.
keirrison barcelona (Foto: agência AFP)Keirrison realizou o sonho de menino, mas não
atuou pelo Barcelona (Foto: Agência AFP)


GE: Na sua carreira, qual é o maior arrependimento?

Keirrison: Não me arrependo de ter ido para o Barcelona, que era meu sonho de estar lá. As oportunidades não aparecem sempre, ainda mais com o Barcelona, que é o melhor do mundo. Acho que, se fosse hoje, repensaria o time que seria emprestado. Talvez não escolheria o Benfica, pois no grupo deles tinha muitos atacantes. Não dizendo que não conseguiria jogar ali, mas eram muitos atacantes que jogavam há um bom tempo. Então você precisa se adaptar, pois era o meu primeiro ano na Europa. Depois mostrar. No Benfica, eles não deram esse tempo. A adaptação foi muito complicada. Mas aprendi com isso e hoje estou com outro pensamento. A vida nos proporciona isso e procuro passar para os outros jovens, para que possa pensar bem e não cometer os mesmos erros pequenos.

GE: Como foi a sua chegada no Barcelona? Estava ciente dos processos que tinha que passar antes de entrar no time principal?


Keirrison: No Barcelona não pude ficar, pois ia entrar como estrangeiro no clube. Para participar das competições, pelo número alto, cada país da Europa tem um limite de estrangeiros e no Barcelona já estava ocupado. Quando fui contratado já sabia que não poderia. O que eu iria era ser emprestado e depois voltar. Agora é bola para frente. O Barcelona reconhece, eu sempre converso com o pessoal lá. São pessoas amigáveis e que torcem por mim. Na conversa que tive, quando pedi para voltar ao Coritiba, disse que aqui era a minha casa e na hora eles toparam. Eu tenho o prazer de ter participado do Barcelona.

GE: Apesar de você já saber do processo para jogar no Barcelona, o fato de não ter vagas não acabou te frustando?


Keirrison: Não me desanimou pois a confiança deles era muito grande em mim. Até porque eles não iriam contratar um jogador se não tivesse confiança. Sempre tem um pensamento com todos no grupo, para decidir em contratações. Quando eu soube, estava muito feliz por ser do Barcelona. A situação era clara. Não tinha como entrar sem vagas para o estrangeiro. Não tinha como ficar triste por isso. Talvez ficaria triste se tivesse a vaga e não entrasse, mas jamais fiquei triste. Era um sonho desde pequeno. São os dois clubes que carrego hoje no meu coração: o Coritiba e Barcelona. Hoje eu pertenço ao Barcelona e estou no Coritiba. Isso é muito grande para mim. Não tem preço.

GE: Após a sua passagem pela Europa, você decidiu retornar para o Brasil e foi anunciado pelo Santos. Foi uma maneira de voltar para casa, o país natal, e a primeira tentativa em retomar a carreira de algum ponto?


Keirrison: Foi um período que queria pegar ritmo. Precisava, pois no tempo que fiquei na Europa joguei muito pouco. Isso acaba quebrando o ritmo de atuar. É diferente treinar do que jogar. Decidi voltar para o Brasil. Foi bom o meu período no Santos, pois consegui recuperar o meu ritmo. Lógico, não foi no ritmo que gostaria, mas pude recuperar um pouco. No encerramento do contrato, tinha alguns clubes interessados, mas eu esperei dar um tempo e pintou o Cruzeiro. Escolhi o desafio. Tive uma boa oportunidade lá, mas não consegui ter um ritmo que tive até no Santos e depois aconteceu a lesão. Mas tudo tem um propósito na vida e era para eu estar aqui neste momento no Coritiba.
Madson Robinho e Keirrison no jogo do Santos  (Foto: Reprodução / Twitter)Keirrison com Madson  e Robinho, na concentração
do Santos (Foto: Reprodução / Twitter)


GE: Quando você chegou ao Santos, o Peixe vivia um bom momento, com o auge de Neymar e Ganso. Além da falta de ritmo, a grande disputa no ataque santista dificultou para você conquistar espaço?


Keirrison: Equipes como o Santos sempre brigam pelo título. Em três ano para cá, o clube cresceu muito. A briga por vagas é normal. No Santos foi o melhor período após o meu retorno ao Brasil. Foi ali que ganhei ritmo e recuperei de 0 para 9. Tive treinadores bons. O Muricy me ajudou muito e deu ritmo em treinamento e jogos. Isso me ajudou para voltar.

GE: Como foi a sua relação com os novos meninos da Vila, como Neymar e Ganso?

Keirrison: Foi bacana. São meninos e pessoas leves, que nunca arrumaram problemas. Cada dia eles aprendem mais. Tive o prazer de trabalhar e conhecer eles. Não é a toa que estão sempre brigando por títulos e merecem o que estão fazendo.

GE: O Neymar também passou por essa escolha em ir para o exterior ou não e optou por continuar mais um tempo no Brasil. Como você vê essa escolha?


Keirrison: Acho que cada pessoa vai ter o momento e ele sentiu que não era a hora. Se fosse para ele sair mesmo neste momento, faria a escolha certa. Mas tem que levar em consideração que tem a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e foi uma escolha dele continuar para valorizar mais.

GE: Após três anos, o retorno para o Coritiba. Qual a sua motivação para recomeçar?

Keirrison: A motivação é ter acertado com o Coritiba. Na quinta-feira, quando fui no Couto Pereira, participei da apresentação e depois a entrada no campo. Aquilo foi uma felicidade e prazer de estar em casa. A recepção maravilhosa da torcida. Não precisa mais motivação do que essa.

GE: Você se emociona quando cita o Coritiba e já disse que levou o nome do clube para cada país que passou. Como é voltar e reencontrar os amigos e conhecidos?

Keirrison: Desde que passei pelo Coritiba levei o clube com muito carinho, com muito prazer. Todos os meus amigos que trabalharam comigo sabem do carinho que tenho por aqui. Agora é dentro de campo. Entrar, fazer o melhor pelo Coritiba e honrar a camisa como sempre fiz.

GE: A principal pergunta que o torcedor coritibano quer saber. Quando o K9 estará pronto para voltar a vestir a camisa do Coritiba?


Keirrison: A gente já programa em julho. Lógico que não sabemos a data, mas em julho posso voltar aos coletivos. Lógico que é um processo dos coletivos, dos treinos, até os jogos. Até me adapatar me jogos vai levar um tempinho, mas estou tranquilo. O momento que tive no Coritiba antes foi um processo bom, mas o melhor de mim não chegou e está por vir. Estou ansioso para que esse momento chegue.

Keirrison Coritiba (Foto: Gabriel Hamilko / GloboEsporte.com)Apesar de toda experiência, K9 não perdeu o jeito de moleque (Foto: Gabriel Hamilko)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Coritiba: um primeiro turno de adaptações

Treino do Coxa no Couto Pereira: adaptações entre os contratados
(Crédito: Gabriel Hamilko)
 Um torcedor do Coritiba (e um grande amigo meu) resgatou uma matéria que fiz em dezembro do ano passado, em que os torcedores estavam preocupados com o êxodo de titulares. Foi uma síntese do que aconteceu com o Coxa. É um bom time, têm bons reforços que ainda não se encaixaram, mas o fluxo de saída de jogadores desestruturou um pouco. Concordo.

Está forte para o segundo turno e vai jogar todas as partidas como fosse uma decisão. A pressão é maior, pois o rival Atlético-PR já está garantido na final. Aliás, é o tricampeonato que está em jogo e o Furacão é craque em acabar com a tripla sequência.

Matéria de 28 de dezembro de 2011, no GloboEsporte.Com.

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/coritiba/noticia/2011/12/torcida-aprova-reforcos-do-coritiba-mas-se-preocupa-com-fluxo-de-saida.html

Cianorte: o Leão que rugiu e assustou a capital

Méritos ao Leão do Vale por chegar tão forte em uma disputa. O discurso do técnico Paulo Turra sempre foi um: garantir calendário. Mas claro que assegurar vaga na finalíssima sempre é reconfortante. Tomara que não diminua o ritmo e não sinta o baque de ficar uma vitória de distância.

Boa administração que só tende a ficar cada vez mais forte. Eu me arrisco a dizer que uma vaga na Copa do Brasil 2013 e na Série D 2012 já são deles.

Como lembrança, trago um resgate que fiz com o GloboEsporte.com, em setembro do ano passado. Uma valorização bem antecipada e que, naquela época, me deu certeza que seria um time forte no Paranaense.

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Matéria publicada em setembro de 2011

Brasil Afora: bem na 'D', Cianorte é o Leão que assustou Timão de Tevez

Chamado de 'time de costureiros' em 2005, clube paranaense foi celebridade instantânea' após vencer estrelado Corinthians de 2005, na Copa do Brasil

Gabriel Hamilko


Dá para dizer que o Leão do Vale ainda é filhote, mas já assustou um gigante. Com oito anos de existência, o Cianorte tem, pelo menos, uma grande história para contar. A equipe, que acabou de conseguir avançar às oitavas de final na Série D, se transformou em celebridade quando surpreendeu o Brasil vencendo por 3 a 0 o poderoso Timão deTevez, Mascherano, Roger, Carlos Alberto & Cia., na Copa do Brasil de 2005, deixando louca a torcida da pequena cidade de quase 70 mil habitantes.

Em 9 de março daquele ano, o Leão do Vale se tornou uma “celebridade instantânea”, quando, com apenas dois anos, disputava a sua primeira competição nacional. Na primeira fase passou pelo Cene (MS), e logo na próxima "esquina" encontrou o Corinthians, que estreava um elenco sob o comando do argentino Daniel Passarela. Chamado de "time de costureiros", pelo fato de a cidade ser considerada a capital do vestuário, o Cianorte entrou mordido com a brincadeira e venceu a primeira partida por 3 a 0. Depois, acabou eliminado no jogo de volta por 5 a 1, mas se orgulha do momento de "alta-costura" nos gramados.

Seis anos se passaram do Cianorte que aprontou com o Timão para os tempos atuais. Nem só de passado vive o clube, que comemorou no último fim de semana a classificação para a segunda fase do Brasileirão da Série D. A equipe joga a primeira partida neste domingo, em Cianorte, contra o Oeste Paulista, pelas oitavas de final. Resultado que a diretoria entende como o desdobramento de um trabalho organizado e iniciado no Campeonato Paranaense, quando o time foi campeão do interior.

- Entendo que a boa fase do Cianorte está associada à administração profissional do clube e também à manutenção do plantel - explicou o atual diretor do clube, Adir Kist. Em 2005, ele era o goleiro e um dos destaques daquele time que aprontou para cima do Timão.

Agora, da melhor equipe do interior paranaense, o Leão conseguiu manter a maior parte, perdendo apenas o atacante Giancarlo e o zagueiro Brinner. Os dois foram para o Paraná Clube disputar a Série B do Brasileirão. Entre os substitutos, Willians já é o artilheiro da equipe, com quatro gols, e um novo líder se destaca com a camisa 10: o meia Felipe Pinto, considerado o organizador do time dentro de campo. Pelo Grupo A8, o Cianorte terminou em segundo lugar, com 14 pontos ganhos. Foram quatro vitórias, dois empates e duas derrotas.

Os planos do Cianorte não param na Série D. A diretoria acredita ser possível o acesso para a Série C em 2012 e, de lá, projetar em dois anos um novo acesso para chegar à Série B e figurar entre os principais times do país.

- Nossas metas são a longo prazo e, passo a passo, vamos obter os êxitos.

Time de costureiros?

Certamente, aquele feito de 2005 é usado para servir de inspiração. Adir Kist conta que nenhum integrante na época esperava um resultado tão elástico no primeiro jogo. Enquanto toda a expectativa nacional era de que o Corinthians se classificasse na primeira partida (segundo a regra do campeonato, o time visitante que vence por dois gols de diferença elimina o jogo de volta), o Leão do Vale, além de obrigar a partida em São Paulo, preocupou o Timão, que precisava inverter uma vantagem de três gols, fato inédito até então na Copa do Brasil.

Kist conta que o menosprezo, tanto por parte do Corinthians como da crítica nacional, ajudou a motivar o elenco cianortense. Como a cidade de Cianorte é conhecida como a capital do vestuário, por ser um dos maiores centros atacadistas do Brasil, Adir lembrou que o elenco ficou bastante chateado com as brincadeiras ouvidas país afora de que o time era formado por costureiros. Isso serviu como combustível para a equipe.

- Lógico que tivemos méritos, mas houve um pouco de subestimação por parte do Corintihians. Ouvimos comentários dizendo que o Cianorte era um time de costureiros, de cidade pequena. Não procuraram saber sobre o nosso futebol.

Kist lembrou que, quando o Cianorte abriu o placar, sentiu o adversário pouco preocupado. Achava que, pela superioridade técnica, poderia mudar o resultado a qualquer momento.

- Só quando perceberam que já estava três a zero tentaram correr atrás e se desesperaram, pois a nossa equipe marcava muito bem e não deu espaço para o bom time deles.

2ª fase: da Rua Augusta ao indigno rótulo de ‘vacilão’

Hoje em dia, como diretor de futebol, Adir Kist revela que mudaria muitas coisas na organização e logística do clube. Sem muitos recursos, a delegação não passou por bons momentos na capital paulista. Primeiro pela pressão e rivalidade exagerada criada pelos fiéis corintianos, que colocaram o adversário paranaense no mesmo nível de rivais como São Paulo e Palmeiras.

Segundo, pela falta de recursos que não permitiu dar um conforto ideal para os jogadores e comissão técnica. Kist lembra que o Cianorte ficou hospedado num hotel da Rua Augusta, exposto ao movimento diversificado do tradicional point paulista e sem organização na entrada.

- Ficamos muito expostos. A imprensa fazia plantão no saguão do hotel, torcedores pressionavam. Na hora de ir para o estádio, o ônibus que contratamos não chegou e dividiram os atletas em vans. Alguns membros da comissão foram de táxi – reclamou o ex-goleiro, afirmando que o clube aprendeu muito com aquele episódio.

Por outro lado, “o sangue já tinha baixado” da vitória do primeiro jogo, até mesmo pelo grande intervalo entre as duas partidas: quase um mês depois.

- Passaram trinta dias do resultado daqui (no Paraná). A situação era diferente, o embalo da vitória já tinha passado. Foi difícil para a equipe suportar a pressão. A gente queria passar de fase, mas faltou experiência.

Como remanescente daquela equipe histórica, Adir declara que fica ressentido cada vez que ouve boatos de que o Cianorte “entregou” ou “vendeu” o jogo de volta.

Elza, a torcedora oficial do Cianorte

Antes de cada jogo, dona Elza visita os atletas no
vestiário (Foto: Andye Iore / Divulgação)

Com 74 anos recém-completados esta semana, dona Elza Bento Ramos é uma "figurinha carimbada" no clube. Todos a conhecem e a respeitam. A cada jogo do Leão do Vale em casa, a sua presença nos vestiários antes de começar a partida é uma espécie de talismã, que pelo menos na Série D está dando resultados.

- Por toda vida eu gostei de futebol. Conheço boa parte dos jogadores desde crianças e aprendi a ter um amor pelo clube e pelas pessoas - afirmou a fanática torcedora.

O conhecimento dela sobre o Cianorte é invejável. Conhece cada um dos atletas da base e acompanha o crescimento profissional dos pupilos.

- Sempre estou acompanhando o que acontece no Leãozinho (base do Cianorte). Vejo e dou carinho para vários jogadores desde que chegaram aqui no clube - disse Elza, listando Marcinho, Fabinho, Fernando e Danilo, que atua no Londrina.

Atualmente, a principal preocupação é com o jovem goleiro Marcelo, que se lesionou em um jogo-treino com o Cambé e perdeu a posição de titular para o veterano Colombo.

- O Marcelo é um goleiraço, está machucado. Mas tenho um carinho especial por todos eles.

Uma curta história do Cianorte

O Cianorte é mais um clube de empresários do futebol brasileiro. Marco Franzato é dono de uma marca de roupas, sediada na cidade, e fundou o novo time em 2002, resgatando a tradicional equipe, extinta em 1993.

A ascensão do Leão do Vale foi rápida. Com um ano de existência, o Cianorte subiu para a elite do futebol paranaense e, em 2003, já conquistou o título de campeão do interior, após terminar o Paranaense em terceiro lugar, atrás do campeão Coritiba e do vice Atlético-PR.

Com o feito, conquistou a oportunidade de disputar a Copa do Brasil de 2005, quando conseguiu o memorável resultado de 3 a 0 sobre o Corinthians.

Desde 2003, o Cianorte jamais caiu da Primeira Divisão do estado. Alternando bons e médios resultados, neste ano conquistou, novamente, o título do interior. De leva, granhou o direito de disputar a Série D do Brasileirão.

O efeito dos perfumes de Carrasco - Post do Furacão

O grande mérito do campeão do primeiro turno? Não é somente um. O principal é o contestado técnico JR Carrasco. Chegou, ganhou a confiança do grupo e uniu um time que acabou de cair para a Série B. Desmontada, a equipe conseguiu um segundo trunfo. Bons retornos, como de Bruno Mineiro e Ricardinho. Desde o começo do Paranaense ditaram o ritmo. Para coroar, Ligüera. Desse jeito, o maestro Baier nem fez tanta falta.



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O técnico uruguaio tinha fama de ser um técnico sem sorte e que não agradou os conterrâneos quando treinou a Celeste. Apesar de quieto e "fugitivo de coletivas de imprensa", dentro de campo conseguiu montar um time equilibrado. Não é bom. O melhor foi a união do grupo, que contou até com apostas de perfumes.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Casal 'Atletiba' mostra que rivalidade pode ser o início de um grande amor

Publicado originalmente no GLOBOESPORTE.COM



O amor começa por coisas em comum entre um casal. A atração física unida ao compartilhamento de interesses, o papo e o respeito estimulam o prazer de estar ao lado da pessoa em todos os momentos. Em todos? E se quis o destino que cada um tenha escolhido uma paixão futebolística? E, ainda pior, se os times foram rivais históricos?

Andrea e Dago: rivalidade em casa
 Bruno Kirilos / Acervo Pessoal
Pois é. O cupido prega peças e tem um senso de humor bem curioso unindo aqueles que estão em lados opostos no campo de futebol. Mas essa rivalidade pode ser até o tempero que aproxima duas pessoas, o estopim para um grande amor.

Quando se conheceram, Andrea Miranda e Dago Reis Amatnecks Filho não se suportavam. Ela, coxa-branca, e ele, rubro-negro, se digladiavam em um fórum de discussão justamente sobre o Atletiba. A relação era uma verdadeira guerra com provocações dos dois lados. Na época, ambos tinham outros relacionamentos e nem pensavam na peça que o destino iria pregar.

Vírus, provocações e, no fim, namoro


A primeira "briga em comum" que os colocou em rota de colisão foi o antigo ADAP (clube que se fundiu com Galo Maringá, em 2006). O clube foi uma grande surpresa do Paranaense de 2006 e surpreendeu o Atlético-PR nas quartas de final, o Coritiba na semi e foi o assunto na comunidade do Atletiba.

A derrota do Furacão para um time pequeno foi um prato cheio para Andrea, que não perdeu a oportunidade de zoar os atleticanos da comunidade. Porém, a vingança não tardou. Quando o Coxa também foi vitimado pelo ADAP, Dago instalou um vírus no perfil dela e, cada vez que Andrea abria a página, o hino do clube interiorano tocava.

– Não aguentava mais. Já tinha decorado o hino. Tive que chamar um técnico para arrumar. Eu odiava ele, um cara insuportável por fazer uma sacanagem dessas. Era só "quebração de pau"  – conta Andrea.

Depois do episódio da ADAP, os dois nunca mais tiveram contato. Foi só em 2008 que se reencontraram e, através da ajuda de um amigo em comum, foram apresentados pessoalmente. Ainda nem imaginavam que dois meses depois começariam um relacionamento.

- Eu sempre tinha um pé atrás com ele. Não começou do zero, começou do negativo, mas deu certo. Com ele eu aprendi a ser mais tolerante. Sempre fui de provocar e ser mais esquentada, mas ele me deu um exemplo – completa, dizendo que uma atitude que marcou foi quando o Coritiba caiu em 2009 e Dago foi consolar a namorada, em vez de tirar sarro.

Dago diz que nem sempre foi tão tolerante com a rivalidade entre os dois clubes, mas a própria relação como uma coxa-branca e, atualmente o amor de sua vida, ensinou que não dava para levar tudo a sério.
No relacionamento, os dois aprenderam que a discussão é válida até um ponto, mas quando chega a um nível perigoso, o casal prefere parar.

- Futebol é uma coisa de lazer, secundária, para ser levado na boa, e não podemos deixar isso afetar o nosso relacionamento. Decidimos que cada um iria respeitar e não discutir mais por causa de futebol – diz Andrea.

E os filhos?


A próxima dúvida que os dois ainda não resolveram no relacionamento é quando tiverem um filho. Será Coritiba ou Atlético-PR? A proposta inicial é dividir meio a meio a decoração do quarto, mas ambos acreditam que os avós é que terão a missão de influenciar na definição.

- O casamento é uma certeza. A única incerteza é o time do filho. No lado dela é uma família de coxas-brancas, e, no meu caso, meu avô estava na fundação do Atlético – completa Dago.

No domingo, cada um assistirá ao jogo do seu time longe um do outro. Não vão para o estádio, mas também vão evitar ficar no mesmo lugar.

- É melhor separar. Depois que acaba o jogo ele vem aqui em casa e nós discutimos outras coisas, mas não sobre o Atletiba – ressalta Andrea.

Atlético-PR e Coritiba se enfrentam na Arena da Baixada, às 17h (de Brasília). O Coxa, no G-5, precisa da vitória para assegurar a vaga na Libertadores 2012. Do outro lado, o Furacão, no Z-4, tem um missão ainda mais complicada para escapar do rebaixamento. Tem de derrotar o arquirrival e torcer por tropeço do Ceará diante do Bahia e por uma derrota do Cruzeiro contra o Atlético-MG.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Caçando Rommel: técnico e sem mapas, mas interessante

Um ano após ganhar de presente de aniversário, comecei a ler o romance histórico Caçando Rommel, de Steven Pressfield. Para quem não sabe, esse personagem da história foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Mais sobre a interessante história dele aqui.

Pressfield usa do passado pessoal dele próprio para dar base ao enredo do livro, dando a eterna impressão de que realmente aconteceu. Se depender da cronologia que ele mostra nas primeiras páginas, o personagem principal é um tutor do escritor no mundo literário.

Antes de começar a batalha em si, o autor apresenta o personagem, convidando o leitor a se aprofundar um pouco mais no mundo do inglês Lawrence Chappman. Como todo o romance precisa de uma história romântica para "fazer algum sucesso" (não que eu concorde com a teoria), o capítulo inicial proporciona isso. O começo de uma bela história de amor em que o patriotismo e a guerra separam e colocam em risco.

Na verdade, a introdução contribui para um começo mais suave, pois o escritor gosta de ser detalhista. Todos os batalhões apresentados e locais são reais. Comprovei isso depois no Google Maps (a maioria existe até hoje). Todo o detalhismo e perfeccionismo atrapalha um pouco a leitura, principalmente quando ele tenta explicar o funcionamento dos canhões, bombas ou outras parafernálias de guerra.

Por causa disso, quando Chappman vai para o campo de batalha, o leitor demora um pouco para pegar no tranco, correndo um grande risco de desistir no meio do caminho. Mas a história do GLAD (Grupo de Longo Alcance do Deserto) prende mais do que a vontade de desistir, principalmente para quem gosta de história, geografia e aventuras.

Falando em gosto por geografia, uma coisa que senti muita falta foi de alguns mapas. Já que Pressfield quer ser tão detalhista nos locais também e cita vários desertos e vilas, seria legal ter um mapa com a trajetória percorrida no Norte da África pelo pelotão especial inglês. Várias vezes precisei recorrer ao Google Maps, pois sou um tarado por localizações exatas.

Em geral, é um livro que vale a pena ser lido, principalmente por quem gosta da Segunda Guerra Mundial. Até mesmo pelo fato de que poucos autores usam a campanha no Norte da África como locação. No final das contas é um daqueles livros que quando a leitura chega no final, começa a dar uma tristeza. Isso é o que importa...

Mais curiosidades bacanas sobre como o autor escolheu o assunto, aqui.

Curiosidade pessoal: Na ingenuidade de aproveitar as três horas que ficaria na fila e marcando um lugar na frente da Pista 2 para assistir o show do Pearl Jam, eu levei o livro para passar o tempo. Não sabia que era proibida a entrada de livros, revistas e jornais. O segurança viu na hora da revista e disse que eu teria que "guardar" em uma caixa de livros, junto com latas de cerveja e garrafas de refrigerantes. Pensei em tentar enganar o cara, mas ele estava de olho. Quase joguei fora, quando estava na metade do livro. Mas uma ideia me ocorreu. Deixei com a senhora do carrinho de pipoca que estava ali na entrada. Na saída peguei novamente, são e salvo, e retribuí a alma caridosa que salvou meu livro!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Corrida das cavernas

Gabriel Hamilko, para o blog Fôlego da Gazeta do Povo


de ser a caça. Com a evolução, parou de lutar pela comida – aderiu a produtos industrializados, – e a corrida virou uma das principais formas de garantir vida saudável e forma física.
Mas, biologicamente, o ser humano está foi feito para correr longas distâncias? Segundo o economista norte-americano Arthur De Vany, não. Em seu livro The New Evolution Diet, que será lançado em português no Brasil em junho, pela editora Larousse, defende que o ser hu­­mano saudável é aquele que preserva hábitos da era paleolítica, como uma dieta semelhante à dos homens das cavernas, sem adotar treinamentos longos de corrida. A tese está longe de ser consenso, mas o livro virou best-seller nos EUA.
De Vany lista pelo menos dez motivos – baseados em estudos científicos, garante – para não se preparar e correr uma maratona. Entre eles, alguns alarmistas, como lesão permanente dos músculos (inclusive do miocárdio, no coração), danos ao fígado e à vesícula biliar, al­­terações renais, agravamento de tumores cerebrais preexistentes, que podem causar morte precoce.
O ultramaratonista e assessor esportivo da Trainer Asses­­soria Esportiva, Fabio Moralles Alonso, o Tchê, concorda que a maratona não é uma prática para quem quer saúde, mas afirma que os danos são causados quando o esportista não está preparado. “O organismo paga mais em distâncias mais longas, mas não se pode nivelar todos da mesma maneira. Faço corridas de longa distância pelo desafio. Antes de competir, o atleta precisa se preparar adequadamente”, enfatiza.
O doutor em Ciência da Motricidade e professor da graduação em Educação Física da Universidade Positivo (UP) Glé­­ber Pereira afirma que, para entender as conclusões do economista, é necessário distinguir atividade física (caminhadas ou corridas sem nenhuma rotina), exercício físico (atividade programada) e esportes (fo­­cado no rendimento com esforço maior).
Esforço
Esporte para o rendimento, por exemplo, não é sinônimo de saúde, destaca. “Está demonstrado que o sistema imunológico é prejudicado com o alto vo­­lume [quilômetros percorridos] e intensidade [velocidade de corrida] de exercícios. Mas, se houver moderação, a resposta é positiva, como a melhora do sistema imunológico”, afirma.
Ele enfatiza que as pesquisas que servem de argumento para De Vany para os problemas re­­nais e lesões musculares graves causados pelo esforço com a cor­­rida em longas distâncias são antigas. “É preciso ver a qua­­lidade das publicações e principalmente a interpretação de quem faz o uso destas”, ad­­verte. E ressalta que norte-americano se precipita ao generalizar o risco na corrida. “De Vany radicaliza em seus argumentos. Talvez para ganhar espaço na mídia. Nada prova que um corredor vai ter aquele tipo de doença ou que vai morrer assim que cruzar uma linha de chegada”.
Para uma maratona, os profissionais de Educação Física recomendam pelo menos dois anos de prática de corrida regular, com um currículo de pelo menos duas meia maratonas (21 km). Entre os profissionais, é possível perceber o esforço que a atividade cobra dos atletas: a grande maioria da elite entre os maratonistas aparenta ser mais velho do que realmente são.
“Correr 42 quilômetros em uma competição qualquer um faz, mesmo andando ou correndo devagar em alguns trechos. Mas terminar a prova e ter disposição à tarde, daí sim, é para os poucos que realmente estão preparados”. diz Tchê.