quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Um governador engraçadão
Senador com seu cuecão, brincadeirinhas e sarros com os problemas brasileiros, a ignorância comprovada de alguns nobres parlamentares – que muitas vezes não sabem nem o que votam.
Isso quando o próprio governo incentiva que uma reunião se transforme em uma piada (de mau gosto). Exatamente o que nosso governador transformou as reuniões do secretariado. Fundado com uma intenção de ser um espetáculo para divulgar os feitos do governo, cada semana que passa gera polêmicas e risadas dos paranaenses.
Mas ultimamente isso tem extrapolado o limite do bom senso. Acostumado com piadas de caráter duvidoso, Requião não poupa em humilhar seus subordinados, desde a roupa inadequada do secretário do Meio Ambiente até “tiradas” sobre doenças e opções sexuais.
O técnico com traços orientais que reivindicou maiores investimentos foi demitido no ato, chamado de kung fu e outros apelidos próprios do governador da mamona. Em um de seus sarros, o próprio Requião levou uma invertida, quando brincava com os homens que iriam realizar o exame do toque, preventivo para o câncer de próstata. O Secretário retrucou dizendo que o assunto é sério e delicado e não merecia brincadeiras sobre o modo de realização do exame. Até hoje não foi demitido.
Mas nessa terça, a sua nova piada, rendeu destaques na mídia nacional. Após chamar ao palco o – novamente – Secretário de Saúde, Requião disse que o câncer de mama em homens deve ser “consequência de passeatas gay”, gerando protestos da classe GLBT.
Todos sabem que esse é o estilo de Roberto Requião, porém, ultimamente o exagero é visível. Além do repúdio, deixo uma pergunta no ar. Por que tudo isso? Seria só campanha para o senado ou o destaque nacional tem a ver com uma possível campanha para ser um dos candidatos a presidência da república no país da política que é uma piada?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
PrasBandas da cultura - Entrevista com Getúlio Guerra (por Marie-Claire Devos)
Marie-Claire Devos é estudante do último período de jornalismo da Universidade Positivo. Como o trabalho de conclusão do curso é uma revista de Cultura para Curitiba, e achando bacana nossa entrevista em abril na Gazeta do Povo, resolveu fazer uma matéria sobre o PrasBandas.
Além desse entrevistão comigo, nesse sábado ela e o Gabriel Hamilko foram até a Escola Municipal Maria Marli Piovezan na retomada da Oficina de Fotografia e conversaram com alunos, alunas e com o professor Douglas Fróis.
Boa sorte a eles na nova profissão e obrigado por nos escolherem!
1) Como e quando surgiu a ideia do PrasBandas?
Tudo começou quando eu era moleque e fugia da missa pra escalar uma cruz que tinha fora da igreja. Depois, adolescente fui num centro espírita e um exu veio me dizendo que eu era "corpo fechado". Jovem li sobre budismo, fiz gnose e depois fiquei uma década e meia numa escola de autoconhecimento chamada Gurdjieff. Tomei ayuasca até uma leitura de mapa astral reencarnacionista me chacoalhar: "Você tem que sair de casa, usar essa tua capacidade de liderança pra ajudar os outros. Na vida passada você foi egoísta pra cacete... É hora de transmutar isso fazendo algo social e com elementos que seja essencial pra você - no caso, arte e ciência. Senão, no fim da linha você vai ficar de cara consigo mesmo - de novo". Então, a idéia é descobrir as respostas pras perguntas cabeludas da minha vida, do tipo "O que eu tô fazendo aqui?"
2) O Prasbandas atua em só um bairro ou em outro?
O sonho é abranger todas as áreas com menos grana e informação da cidade, ir pra região metropolitana, e mais tarde quiçá o interior do estado. Sonho, sonho, sonho... Ainda bem que me veio mais paciência que ansiedade, senão tava fodido e não sairia nada da cabeça, nem pro papel. Atualmente nossas pequenas mas ações reais são as oficinas gratuitas em uma escola pública do Uberaba e as inscrições pros artistas do Bairro Alto se apresentarem na praça.
3) O projeto não só dá oportunidade para as bandas, como também oferece cursos de fotografia, astrologia e de música. A comunidade comparece? Qualquer um pode participar?
Sim! Queremos complicar cada vez mais... Já que a arte pode salvar a vida de uma pessoa, que seja a manifestação que ele mesmo produz o colete salva-vidas. Na praça Renato Russo foi lindo! Imagine... Mães com os filhos no colo, senhores de idade com suas bicicletas Barra Forte, analfabetos poetas e intelectuais escritores, pastores e adolescentes evangélicos bonzinhos entre macumbeiros e metaleiros que brincam de serem malzinhos (risos). Veja só. A imagem do evento em praça pública que eu sempre quis era a de um catador de papel, chegando com seu carrinho e esquecendo dele em meio a tanta gente simples absorvida pelas fotos, poesias, canções, etc. Mas daí apareceu o Seu João, um poeta analfabeto que não sabe ler seus poemas, escritos sempre por alguém que ele pede pra ajudar a transferir da cachola pro papel. Com sua pastinha de poesias, chegou, pediu espaço e o Edinho subiu com ele e leu algumas. Foi um presente único entre aquelas 600 pessoas que passaram pela frente do palco naquele domingo. Eu me emociono, porque a alma é essa: fomentar a arte que cada um possa ter em si, descentralizar de onde é cartão postal da cidade e dar gás a diversidade, ao respeito entre as diferenças! Morando no bairro, qualquer um pode se inscrever, mas vem gente de todo canto ver qual é.
4) Como é a recepção da comunidade?
Sempre acham bacana e ficam sempre agradecidos porque compreendem que estamos montando tudo aquilo pra eles. É uma energia forte, uma troca muito boa sempre. Eles sentem que não é macumba pra turista, não é ação política-partidária, não é carimbo pra passaporte de ninguém. Eu sempre tentei - mesmo antes de sair o primeiro rascunho de tudo - pensar no que uma comunidade da periferia precisa, que tipo de carência estamos falando, qual a necessidade real dessas pessoas... Fazer algo de cabo à rabo pro outro através de um mix do meu passado publicitário mais o "buscador da verdade" é o norte sempre.
5) Li na Gazeta que a aula de astrologia foi uma ousadia sua? Por quê essa ideia surgiu?
A justificativa mais revolucionarizinha é a de que temos autonomia pra interferir onde queremos com o que acreditamos... Mas a mais real e menos Fidel Castro é a de que não temos escolha, é uma espécie de pagamento cármico. Sem essa leitura do meu mapa astral (feita em julho de 2004 pelo Carlos Maltz - fundador e primeiro baterista dos Engenheiros do Hawaii), nada disso teria rolado. É tudo muito nonsense, mas é um reflexo da minha vida; fazer o que? (risos) Quem me conhece sabe que é assim mesmo que as coisas acontecem comigo... Tento muito desmistificar pra não entrar em discursos babacas, panfletários. E como a minha leitura é a de que foi bom pra minha vida, passo a bola. Se outras pessoas forem influenciadas positivamente nesse sentido de acordar pra certos sonos interiores tá lindo.
6) O Prasbandas dá a oportunidade para bandas curitibanas. Só bandas com letras próprias podem participar ou covers e/ou outras letras de outros músicos também podem participar?
Sim, pras bandas autorais porque cover ninguém merece (risos). Não precisamos de mais artistas fakes nesse mundo plástico. Como diria o grande Lobão - cover é gozar com o pau dos outros. Sabemos que é um parto criar algo pessoal, uma responsabilidade, um filho teu no mundo do outro! Se é talentoso ou não, a seleção é natural e o tempo dirá. Fingir que se é outra pessoa é suicídio, a arma dos fracos... A vida é muito curta e urgente: não temos tempo e nem saco pra picaretagens. O que importa é o movimento do trabalho de parto.
7) Alguma banda ou algum músico se destacou no cenário musical curitibano?
Algumas bandas quando passaram pelos palcos do PrasBandas já tinham um trabalho sério e uma certa projeção na mídia nacional, como Terminal Guadalupe, O Teatro Mágico, Charme Chulo, Poléxia. Como convidadas sempre chamamos quem está trabalhando em todas as etapas, da criação da composição e ensaio à execução em shows e registro em estúdio com qualidade. Dificilmente chamamos quem queima etapa. Então, vejo que a nossa colaboração é fornecer uma garrafinha de água pra quem já tá na maratona suando. Não nos sentimos responsáveis pelo possível destaque das inscritas e o cachê de R$ 400,00 pras convidadas vemos como uma toalhinha pra secar o suor de quem já tá ralando faz tempo. É uma relação muito mais de amizade e consideração do que de empresariado e dividendos.
8) As bandas fazem shows pela cidade? Como é a receptividade do público?
Se não fazem deveriam se ocupar com isso porque entendo que banda que não faz show não é banda. Agora, a primeira intenção do nosso projeto quando ainda Festival de Bandas era formar público para artistas daqui, porque o consumo de produção cultural local do curitibano é miúdo, não dá sustentabilidade a ninguém. Uns amigos acham que isso faz parte da história de Curitiba que foi sendo habitada por várias etnias e subdividiu a identidade cultural, gerando um povo sem tesão pelo o que é produzido aqui justamente por não aceitar isso como sua propriedade. Pode ser. Por essas e outras que eu me identifico com bandas que cantam em português, que falam do local onde vivem e que tem um conceito focado em abrandar essa ojeriza que temos em consumir arte nossa.
9) Ainda na matéria você diz que a ideia é estar na periferia. Por que a escolha dela?
Porque como você e o Gabriel viram, ali perto da escola onde estamos com as oficinas tem bastante gente que não tem grana pra pagar um curso particular. E o principal motivo de estarmos ali é promover esse acesso que a falta de grana bloqueia. Dar a quem tem menos é estimular uma troca de valores que não tem preço. Eu moro no Xaxim desde 1975, não tive acesso a muita coisa pela condição financeira da minha família, mas tive quando nos fins de semana ía brincar na casa dos meus primos e primas, moradores do Guabirotuba, estudantes do Medianeira, com acesso a grupo escoteiro, aulas de ballet e amigos com piscina em casa. Essa outra realidade extra ampliou a percepção da minha vida no mundo. Ela já não era apenas as bolinhas de gude, pipas e esconde-esconde. Esse link da minha infância tem plugado muito as inspirações do PrasBandas que é abrir janelas na alma de quem talvez possa ter uma. Com comprometimento caro, sem assistencialismo barato.
10) Muitas vezes as pessoas e o governo não investem muito em cultura, ainda mais sendo ela algo desenvolvido para a comunidade. Na sua opinião, a cultura e o Prasbandas são uma forma de transformação social?
Governos interessados que o eleitorado fique mais atento e interessado na vida? Huuummmm... Tava vendo 1984 - filme baseado no livro - e a manipulação que Orwell sinalizava lá atrás no fim dos anos 40 hoje em dia não só continua como anda requintada e nada sutil. O apego do homem pelo poder que gera fama e grana é um vírus que se recicla a cada década. A esquerda, o centro e a direita são só opções de rotas e não mais ideológicas. Os partidos políticos são um abuso, uma afronta à liberdade e a construção de um pensamento inteligente e o único esforço medíocre que fazem é o de se manter por perto de quem está com a faca e o queijo na mão para não morrerem de fome. Masturbadores mentais, não tão nem aí para transformar nada coletivamente de forma prática. São tão egoístas que transformação social é uma pauta sempre colocada no fundo da pasta. Arregaçam as mangas só pra chover no molhado entre ironias e flertes nas mesas de bar regados a cervejinha gelada. Muita teoria baseada em palavras bonitas chupadas de livros defasados que me cansa. Já nós, meros mortais da periferia, independente de qualquer partido, queremos sinceramente transformar algo sim, de forma autêntica e se não for pela cultura fomentada aqui na própria comunidade, não sei qual é o caminho ainda mais honesto.
11) As leis de incentivo a cultura aqui no Paraná quase não existem, a única instituição por aqui que oferece incentivo por editais é a Fundação Cultural. Como o projeto faz para se manter?
O Requião caga e anda pra quem se diz produtor cultural por aqui e eu até concordo com ele, se for ver o tipinho de produtores que se levantam pra questionar e exigir apoio público. Tem muita picaretagem, hipocrisia, falta de comprometimento artístico, lavagem de grana, cara de pau. É a mesma laia laranja e sanguessuga que ocupa espaços públicos via partidos políticos. A FCC ainda consegue aprovar projetos conceituais como os da Grande Garagem que Grava e agora ano passado abriu um edital inédito no Brasil para Festival de Música Independente, que modéstia à parte ganhamos junto com gente séria da cena como Perin, Ivan, Vlad e Vadeco. Fizemos o caminho inverso das ONGS picaretas, que não tem projeto algum pra ninguém, não gostam de trabalhar mas se oficializaram no ufanismo de enriquecer. Estamos na rua desde 2005 é só agora estamos sondando a possibilidade de como OSCIP crescermos nessa missão de produção cultural. Já fomos de forma amigável e nada "profissional" pedir apoio da Prata Fina que só deu em papo furado e agora na Ferroeste que fomos bem recebidos. Mas quando nosso Documentário em DVD ficar pronto vamos bater burocraticamente de porta em porta em todas as empresas fortes da cidade. Sabemos que quase 40% das grandes empresas nacionais tem sede aqui em Curitiba e arredores, mas vamos primeiro nas que nasceram aqui e estão fortinhas. Os departamentos de Marketing que ponham mais água no café porque logo estamos chegando.
12) Para você como é ser idealizador e participar do projeto, no sentido do que isso agregou na sua vida?
Eu só participo do que idealizo ou no mínimo do que acredito, mesmo que no meio do caminho se aprimore e se complique. Agora mesmo acabei de receber um telefonema do Leandro do Charme Chulo que gosto muito, me convidando para ajudar na divulgação do novo cd, porque tão com a agenda cheia fora de Curitiba e querem alguém de confiança aqui para segurar a onda. Topei, claro. Por que? Simplesmente porque acredito no trabalho deles: são criativos, corajosos, queridos e fazem arte com amor e respeito. Se for assim, beleza, o trabalho flui. Fakes são foda. Se eu não dou crédito, pulo fora. Então, a minha vida agrega amigos, abraços, sorrisos e esperanças de continuar sonhando por um mundo melhor para nós e para o outro. Seria por onde se não fosse pelo Uberaba?
Artigo - De quem é a culpa?
Duas semanas antes, também em um sábado, visitei a região, sem saber a bomba relógio que a localidade era. Após conhecer o projeto PrasBandas, que em uma escola municipal atende as crianças carentes, ocupando seus sábados com oficinas de fotografia e música, um projeto inovador em uma área miserável, acompanhei Getúlio Guerra – fundador do projeto – em um tour pelas duas vilas.
Saindo da Escola Maria Piovezan, situada em uma larga e movimentada avenida, entramos no Jardim Icaraí, uma antiga invasão, com casas reformadas e algumas regularizadas pelo tempo de ocupação. O asfalto é precário, mas existe em várias partes e a sensação não é de extrema miséria. Ônibus circulam pela região e dentro das casas, carros estão estacionados nas garagens. O medo de circular pelas vielas não é tão intenso.
Sabemos que é uma região controlada pelo tráfico e não é qualquer um estranho que pode andar por ali. Os riscos são enormes, pois você pode ser considerado um invasor. Neste caso, estamos com acesso livre. O carro é do projeto e está personalizado com adesivos.
A situação vai se degradando conforme avançamos os trilhos do trem. Do outro lado, a realidade é outra. Lá está a Vila União, espremida entre os trens e os banhados. Na parte sul da Vila, asfalto é inexistente. As ruas estão encharcadas por conta das últimas chuvas. Nas casas, feitas com tapumes e lonas, o chão é batido e não escapa da lama que vem da rua. Indo ao limite, é possível observar que a invasão avançou até onde seria impossível construir. Moradores aterraram o pântano, próximo ao Rio Iguaçu, com restos de construções, “catadas” nas imediações, erguendo suas tábuas em verdadeiras areias movediças.
Andando, observamos que vários cavalos pastam no pouco mato que emerge do barro. São os meios de transporte mais comum da Vila União, além de companheiros de trabalho, na árdua missão de catar materiais recicláveis.
Mas, a esperança é visível conforme avançamos para o norte. Casas espaçosas são erguidas, comparadas a um oásis em meio ao deserto. É a regularização, promovida através do governo federal, em parceria com a Prefeitura, que trouxe o PAC da habitação, acendendo uma chama de esperança em toda aquela população.
Porém, o encantamento é interrompido por um grupo que está logo a frente. Ao redor de um carro, cinco jovens conversam próximos a uma das saídas da invasão. Logo notam a presença estranha, interrompem a conversa e passam a nos encarar com expressão desafiadora.
Acompanhado da experiência de Getúlio, que periodicamente caminha pela vila promovendo as oficinas, calmamente cumprimentamos o grupo, sendo retribuídos por um ou dois “e aí” e um olhar que acompanhava a nossa passagem.
Não nos encontramos com nenhuma viatura policial nesses quarenta minutos que percorremos as vielas das duas rivais localidades. Só histórias de assassinatos em uma região que está no top do ranking da violência curitibana.
Projetos são desenvolvidos, mas são recentes e não abrangem toda a comunidade. Falta o básico para um ser humano viver com dignidade. Uma realidade presente em todas as grande metrópoles, seja na cidade dos rótulos, ou na cidade da Olimpíada.
A culpa? Não sei de quem é a culpa. Vai desde um secretário, que não reconhece um crime organizado e admite que a polícia perdeu para alguns “moleques”, passa pelos deputados “urubus” paranaenses e chega lá em cima, até os altos comandos da política, seja municipal quanto estadual, pois quando tragédias como essa acontecem, não adianta jogar a culpa ali ou aqui. Ela é de todos e isso deveria ser admitido, em respeito às vitimas e seus familiares.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Os bastidores da notícia: Uma entrevista com Caco Barcellos
O Enfoque Jornalístico traz uma entrevista exclusiva de um jornalista e escritor brasileiro consagrado pela critica e pelo sucesso. Caco Barcellos, repórter da TV Globo há mais de 20 anos, atualmente dirige o programa jornalístico “Profissão Repórter”, sendo um dos maiores jornalistas investigativos da história do Brasil. Especialista com décadas de trabalho sobre violência policial é o autor de Rota 66: A polícia que mata e Abusado – o dono do morro Dona Marta.
A entrevista foi concedida ao jornalista Gabriel Hamilko, após sua palestra sobre a violência urbana no Brasil, na 9ª Feira de Gestão da FAE.
Gabriel Hamilko: Falando do seu trabalho, qual a importância da contextualização na informação repassada aos telespectadores, principio que se tornou um diferencial do Profissão Repórter?
Caco Barcellos: De extrema importância, pois é a chave do bom jornalismo. Você pode enganar o telespectador só falando verdades se você não contextualizar. Se acontecer um crime e você não diz que ele é resultado de um processo de 40 anos de atividade, você está ocultando algo, explorando somente os aspectos negativos dessa fatalidade. Às vezes, na comunidade ao lado, o mesmo crime aconteceu 50 vezes, só que divulgar vai contra os interesses de um determinado prefeito, deputado ou outro político, deixando de informar. Isso é falta de contextualização, tornando o noticiário sensacionalista. Esse é o contexto da informação que o programa tenta passar.
GH: Qual a importância do Profissão Repórter e como você avalia a participação da sua equipe?
CB: É essencial que eles se envolvam nas histórias e mergulhem em cada edição do programa, pois se é para apenas fazer entrevista, rapidinhas com as pessoas, já temos isso no jornalismo. Nós temos que fazer algo que é diferente do que já está no ar, então optamos pela profundidade. Têm histórias que acompanhamos por sete meses, um exemplo é o programa sobre os assassinatos na favela de Nilópolis, onde uma jovem morreu por uma bala perdida, e os moradores revoltados incendiaram um ônibus, fechando o acesso da comunidade. Para mostrar o contexto da situação, os repórteres ficaram trinta dias dentro da favela e descobriram que nas trocas de tiros com traficantes, policiais balearam mais cinco pessoas. Passamos um lado diferente das reportagens dos telejornais, dando razão a revolta, pois não era só um monte de gente fazendo um simples protesto pela morte de uma garotinha, mas por vários assassinatos não esclarecidos. Nada mais justo que a revolta.
Por isso nossa postura é essa, nós vamos ao local e explicamos aquilo que está acontecendo. Claro, que quando você está na favela um dia, você está capacitado para contar a história daquele dia, mas quando o prazo é de trinta dias, sua capacidade será para contar uma história dos trinta dias.
GH: Como é trabalhar com o Profissão Repórter dentro de uma emissora em que não tem costume usar a profundidade da notícia em sua programação jornalística?
CB: Veja bem, ele está sendo veiculado nessa emissora, então eles gostam muito e nos dão toda a estrutura para fazer isso, a ponto de daqui a pouco eu vou estar saindo daqui, para ir ao aeroporto de Cumbica me encontrar com a equipe que estará embarcando para uma cobertura na Indonésia, retratar o terremoto. Isso prova que a televisão sabe que esses garotos têm uma enorme capacidade para poderem estarem juntos aos maiores correspondentes do mundo. Sou agradecido à emissora por eles confiarem em um projeto como esse, e também acho que é interessante, pois o público está gostando.
GH: Como é o amadurecimento desses jovens desde quando eles entraram?
CB: É muito interessante acompanhar, até porque eu continuo amadurecendo junto, todo o dia eu aprendo uma coisa nova. Eles aprendem em uma velocidade que eu admiro muito, desde a energia, vontade de aprender e de agarrar a oportunidade, além da consciência de que as coisas não são fáceis, pois a nossa profissão tem até certo glamour, mas eles se dão conta que para isso tem que ralar muito, mas muito. Muitas vezes, eles trabalham trinta horas direto, com um intervalo de uma ou duas horas de descanso, até chegar perto do objetivo, e essa noção de batalhar é muito forte no grupo.
GH: Passando para a temática do seu trabalho, você sempre valoriza o lado humano nas reportagens, você acha que esse tratamento está desaparecendo no jornalismo atual?
CB: Acho que não. Quando você trabalha com o lado humano dos personagens, aumenta sua chance de envolver o telespectador na história que você quer contar. Quando você escolhe tal personagem, ela é representativa no universo que você pretende trabalhar. Quando você ganha a confiança das pessoas e elas abrem a vida para você, aumenta sua chance de convencer o telespectador a ouvir aquela história. Com muita emoção, vivem momentos de extrema felicidade. Quando acompanhamos por um mês ou nove meses, a gente procura estar perto dessa pessoa nos momentos mais marcantes da vida dela. Se você está se formando este ano e a gente está te acompanhando, nós queremos falar da sua formatura, estar vibrando com seus pais, um momento bacana, pois é um tempo de reconhecer o seu esforço ou decepção, pois quem sabe, você sofreu uma baixa em uma prova fundamental que fez você chorar, estaremos chorando junto. Assim, procuramos estar nos principais momentos da vida daquela pessoa.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Google ambiental: não custa tentar
- A cada 50.000 consultas uma árvore será plantada, e fica disponível no portal o número de mudas atingido.
- O fundo preto da tela, que a princípio gera estranhamento, descansa os olhos e economiza 20% da energia do monitor.
A iniciativa é nova (a contagem das árvores começou mês passado), ainda faltam ajustes, como, por exemplo, divulgar os locais do plantio e detalhes como se há ou não a preocupação de reflorestamento com as espécies nativas dos respectivos biomas.
Muitos classificam como mais uma ação de responsabilidade ambiental de uma empresa, para ficar "bonitinha" com o público, mas, particularmente, gostei do visual inovador. Recomendo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O verdadeiro repórter do povo
Caco Barcellos é, antes de um repórter, uma pessoa como qualquer outra. Conversa com todos e não sofre do mal do jornalismo: achar que é superior e blindado a críticas. É sensível também: fica sem comer enquanto estiver brigado com alguém. Sensibilidade que, muitas vezes, foi transformada em matérias memoráveis, como coberturas de guerras e conflitos – tanto internacionais, quanto nacionais, exemplos são suas publicações mais famosas: Rota 66 e Abusado.
Não tem medo da polícia, nem de traficantes e sempre procura o lado humano da notícia, retratando detalhes que o público não vê tão fácil nos jornais respeitados da noite, nem nos programas policiais da hora do almoço. Sabe retratar como poucos a violência urbana e já se tornou um especialista no assunto.
Aliás, esse tema foi o motivo que trouxe o jornalista, comandante de nove jovens discípulos do “Profissão Repórter”, a Curitiba. Convidado a ministrar na Feira de Gestão da FAE, Caco falou para uma platéia que, em sua grande maioria, não está acostumada a conviver com a realidade das favelas e da violência urbana. Surpreendeu.
Com os pés no chão, discutiu sobre violência urbana, no trânsito e a falta de sabedoria da imprensa brasileira, que não consegue seguir o principio básico do jornalismo: retratar a maioria da sociedade. Ele próprio, não se colocou em uma classe majoritária, confessando que dentro da própria profissão existem matadores, como seu “amigo” Pimenta Neves que matou uma ex-namorada, também jornalista.
De bate pronto, traz dados da representatividade da violência da PM na sociedade. Segundo estatísticas da Anistia Internacional, não são os assaltantes os grandes matadores brasileiros, pois nunca chegam a matar 4% das 47 mil mortes anuais. Já a polícia paulista representa 12,2% das mortes em SP, enquanto a PM carioca, encabeçada pelo famoso Bope, totaliza 24% da violência no Rio de Janeiro. O número de execuções policiais ultrapassa o de falecidos em todo mundo por pena de morte, que chega a 150.
Como exemplo da realidade que é mostrado pela imprensa, o jornalista usa o trânsito. “Para retratar a violência no trânsito tem que ir atrás da principal vítima. No caso, o motoboy”, diz Caco. Como fundo desse exemplo, ele mostrou o início de uma edição do Profissão Repórter, que trazia casos de motoboys vitimados pela intolerância, além de trazer os maus exemplos de motoqueiros que aproveitam os corredores, quebrando retrovisores, em um sinal de vingança aos veículos de quatro rodas.
Barcellos cita Gay Talesse ao trazer a tona o papel da imprensa e a sintonia que ela deve ter com a população. “Com a evolução da nossa categoria ficamos arrogantes, não querendo saber a posição da sociedade”, afirma Caco, usando o caso de repórteres que cobrem guerras pelo mundo.
“No Iraque chegou a surgir os ‘repórteres cowboys’, que davam tiros juntamente com os soldados, deixando claro que o tendenciamento tomou conta dos correspondentes de guerra. Os repórteres não demonstram mais o lado da sociedade, como no episódio da Guerra do Vietnã, quando a imprensa conseguiu derrubar o conflito”, completa o jornalista.
Finalizando, ele diz que a imprensa tem que se preocupar e pensar com a maioria de uma população. Se for no Brasil, com a classe trabalhadora, que luta a cada dia e sofre todo o tipo de dificuldade enfrentada nas periferias. “O jornalista brasileiro tem que retratar tanto a Suíça, como a Etiópia brasileira. No caso da maioria, mais a Etiópia”, concluí Caco Barcellos.
O mago da ilha
Apesar da sua aparência frágil, ele guarda olhos atenciosos e penetrantes quando concentrado em tal pessoa. Quem conversa com ele, fica cativado com sua expressão forte e principalmente pela simpatia proporcionada. Não é por menos que passada a primeira impressão – de um senhor maluco perdido no meio do mato – todos se afeiçoam a sua pessoa e compartilham um alegre e vigoroso “E aêê garotoooo”, bordão preferido e slogan dessa figura conhecida como Nhô Jeca.
Ele não tem inimigos, e todos que o conhecem compartilham diversos passados sobre Nhô: desde um mágico famoso – devido as suas dezenas de mágicas, prontas para serem feitas para quem o visitar - até um aviador.
Mas na verdade, Nhô Jeca é de tudo um pouco, até os mais esquisitos adjetivos e profissões lhe atribuídas, o que, sinceramente, não duvido que não seja capaz de encarnar em qualquer momento. Nhô Jeca é uma pessoa com uma dupla personalidade, duas figuras, dois nomes que o perseguem sua vida inteira e neles se misturam e de um deles já fugiu em algum momento da sua vida.
Andando na Praia Grande em uma sexta, que diferente da semana inteira, não estava chuvosa, mas nublada e com maré alta, passei no Canto da Vó Maria, cumprimentei Dona Ângela e Seu João, que estava deitado e com alguns problemas de saúde e segui a trilha em direção à Praia do Belo, para um alô para Nhô Jeca. Não tinha certeza se o encontraria, mas chegando lá, vejo as janelas abertas e uma pequena movimentação.
Era o querido “mago da ilha” que tinha acabado de retornar de uma entrega de uma encomenda próximo ao Farol. Uma canoa em miniatura, feita em madeira indígena, originária da Ilha da Cotinga. Ele designou como seu mais novo passatempo, além de ser mais uma forma de fonte de renda. “Dá para ganhar mais um dinheirinho, com um ou outro, pois sempre que algum turista passa por aqui, acaba comprando um”, diz.
No caminho de volta da entrega, o simpático velho passou na mercearia e comprou algumas batatas, duas salsichas, uma cachaça pequena e um maço de cigarros. Ficou chateado por não ter pães para comer com sua sopa que iria fazer logo mais, mas pensou em uma solução - que não seria a mesma coisa - mas preencheria a falta do pão: bolinhos de chuva que tinha feito pela manhã em sua humilde casa.
O interior de sua moradia é simples. Um cômodo que divide as funções de sala de refeições e quarto. Logo na entrada tem uma mesa no centro e um armário sem portas no fundo, onde ele guarda seus utensílios básicos, como velas, isqueiros, cigarros e bebidas. Na outra parede, ao lado da porta de entrada, o armário é pregado no alto da parede, e ali ele coloca seus mantimentos, como o estoque de massas doadas ao longo da alta temporada.
“São miojos, macarrões e sopões que o pessoal sempre traz quando vem acampar. Eles trazem muito e não usam tudo. Na volta, dão um grito e deixam tudo por aqui comigo. Encho esse armário com tudo isso e que dá para o ano inteiro”, afirma. E realmente dá e sobra. Em meio ao inverno, ele ainda tinha aproximadamente trinta macarrões instantâneos, dez spaghettis e um sopão que faria daqui a pouco.
Três cadeiras envolta à mesa são as poltronas que recebem suas visitas e mais ao fundo do cômodo comprido fica seu quarto, sem nenhuma divisão com a entrada. Uma cama à direita, uma estante, com portas embaixo, onde ele guarda parte de sua roupa e ao fundo, entre a cama e essa estante, sua escrivaninha de arte. Pendurada em pregos em cima da cama, ele deixa quatros jaquetas. Tudo simples, móveis antigos e praticamente sem pintura, desgastados pelo tempo e pela ação da local.
Sem a menor cerimônia ele recebe suas visitas, no caso eu, e todo alegre com a surpresa pede para sentar, me saudando com seu bordão oficial e perguntando se está tudo tranquilo. De pronto, ele manda mais uma de suas respostas clássicas, quando retribuo a pergunta: “Estou vendendo, quer comprar?”, se referindo a sua vida na Ilha, sem carros, sem barulhos urbanos, sem o agito das metrópoles.
Na casa não tem luz elétrica, então como já começava a escurecer, Nhô Jeca começava a preparar seus lampiões, segundo ele, uma arte japonesa, ensinada por um japonês. São duas vasilhas cheias de óleo usado, que repassam para ele, com um barbante grosso que encharcado dentro do óleo, fica com uma pontinha para fora, servindo como pavio. Então é só acender e clarear o suficiente para passar a noite no meio da escuridão do matagal. E que escuridão. Trinta minutos depois, por volta das seis e meia da noite já estava tudo rodeado pelo breu. Vou à porta e dou uma olhada para fora, a escuridão é intensa. Você não consegue enxergar a um palmo na sua frente.
Em meio a penumbra ele relembra seu passado: o que mais o orgulha? Além de ter abandonado tudo para morar na ilha, Nhô se orgulha também da sua época de ator de teatro, quando fazia um monólogo cansativo, como ele mesmo define, mas com sua interpretação prendia a atenção das pessoas até o final do ato: “Era magnífico, as pessoas te aplaudindo de pé e você satisfeito e orgulhoso por conseguir conduzir um monólogo com qualidade e destreza”, diz.
A sua dupla personalidade é marcante na sua história de vida. Pode ser dividida em Fausto Bueno e Nhô Jeca. Já foi de tudo um pouco. Aos 20 anos estudava e trabalhava como tipógrafo em uma gráfica. Iniciava sua vida no mundo das letras. E literalmente, pois na época o tipógrafo montava o jornal letra por letra. Da gráfica comum foi para a gráfica de um jornal, até mais tarde se juntar a algumas redações na forma de colaborador.
Nos estudos cursou Letras e virou professor de literatura brasileira, sua paixão na juventude. Mais tarde, acumulou essa função com o de radialista, após crescer no mundo da comunicação. Além de ser comunicador e professor, Fausto sempre trabalhou com pintura. Com o passar do tempo passou a fabricar faixas e placas para amigos, mas sua clientela foi aumentando, expandindo para a região metropolitana e litoral.
No radialismo, Fausto Bueno era o personagem Nhô Jeca, que animava as manhãs da Rádio Atalaia, divertindo seus ouvintes com as imitações do pitoco – muito bem representado pelo rosnado que até hoje imita com categoria (ronc-ronc, rusticamente falando) e o pato (nhac-nhac, definitivamente indescritível imitá-lo com palavras). Atualmente, as crianças da Ilha do Mel são os que se divertem com os animais de Nhô.
Morando na Cruz do Pilarzinho, Fausto tinha seu apartamento e seu veículo próprio, uma típica vida de classe média, na qual não tinha muitas preocupações financeiras. Mas a rotina o estressava.
“Trânsito, carros, sinaleiros, aquele cheiro horrível de fumaça e poluição. Toda a cobrança que tem morar em uma cidade, aquilo me estressava. Cada vez que chegava em casa, desligava o motor e ficava uns quinze minutos parado dentro do carro meditando e relaxando para baixar a carga. Todo aquele agito me corroia por dentro”, diz.
O agito e sua rotina boêmia, que sempre falou alto. Nunca recusou um velho boteco com os amigos e sempre manteve hábitos nada saudáveis (como mantêm até hoje) como a cachaça e o fumo. Toda essa soma começava a afetar a sua saúde.
Após fazer um check-up geral, doutor Luis, seu médico, lhe deixou uma previsão nada animadora com a secretária, pois não teve coragem de falar pessoalmente: “Você tem cinco anos de vida se continuar nesse ritmo”. Seu corpo não suportava mais tanta carga. Seus pulmões, fígados e coração já não eram os mesmos com 46 anos de vida.
Cansado de tudo isso, certo dia foi entregar um serviço de pintura na Praia de Leste, mas após o serviço resolveu dar uma passada na tão falada “Ilha do Mel”, naquela época conhecia pelo sossego que representava, isolada do tumulto urbano.
Ao descer combinou consigo mesmo: esqueceria suas profissões múltiplas e aproveitaria esse final de semana de aventura. Não deu nada certo ou deu certo demais, depende. Primeiro, ele disse que seria somente uma semana. Essa semana poderia entrar para o livro dos recordes, pois até agora nunca terminou.
Segundo: ao descer “estava com a boca seca” e foi logo procurando um bar para molhar a garganta. Ao chegar no boteco, próximo ao local de desembarque de Nova Brasília, já foi reconhecido pelo próprio botequeiro, que também era de Curitiba e foi ajudado pelo Fausto no passado. Não tinha como negar: essa era o Nhô-Jeca da Rádio Atalaia, e a partir dali sua segunda personalidade prevaleceu, sufocou a de Fausto e passaria a ser somente Nhô Jeca o seu nome, sem nada mais. Poucos sabem da existência de Fausto Bueno em toda a Ilha do Mel.
Armou sua barraca na encruzilhada da trilha que vai para a praia do Belo, trocando a barraca pelo casebre, que até hoje permanece em pé, assim como o senhor que após os 60 passou da péssima previsão de vida, que era de cinco anos para os atuais vinte anos que já mora na Ilha, firme e forte, mesmo com a companhia do fumo e da cachaça, porém com um segredo: vizinhos que dão inveja para qualquer um. Árvores e uns cantores que todo o final de madrugada o acordam à beira de sua janela. Para explicar, Nhô Jeca não diz, assobia. Isso basta.
Quem passa pela trilha pode simplesmente se deleitar com a história dessa figura lendária, hoje, símbolo da Ilha do Mel e já integrante do folclore do local. E aê garoto!
A realidade das favelas brasileiras
A edição do Profissão Repórter desta terça mostrou a realidade que não é divulgada nos principais noticiários. A favela de Heliópolis e sua realidade. Como o Caco disse para mim em uma entrevista na sexta, a reportagem de hoje mostrou que essa manifestação não é mais uma qualquer porque uma garotinha morreu. Já são cinco vítimas que não tem solução, portanto, nada mais justo do que protestar contra a morte de mais uma inocente.
Infelizmente a violência policial está presente nas capitais brasileiras. Pode ser fatalidade as mortes, mas também existe muito exagero nas abordagens policiais, e muitos que são mal intencionados, atirando e discriminando todos da comunidade.
A reportagem também mostrou que o toque de recolher é uma realidade nas favelas, coisa desmentida pela polícia paranaense no caso da chacina do Uberaba, onde oito pessoas foram cruelmente assassinadas na noite de sábado, por não respeitarem o toque de recolher imposto pelos traficantes da região.
Através de programas como esse - um raro que não mostra o sensacionalismo, mas sim a realidade - que o povo brasileiro estará ciente de como é a vida nesse país.
Saudações ao novo Enfoque jornalístico
Saudações a todos!
Com o intuito de melhorar a questão visual do blog e organizar melhor as matérias e pensamentos, que o "Enfoque Jornalístico" está de mudança para o blogger.
Aliado com o twitter, retratarei meus pensamentos, artigos, opiniões e grandes reportagens. Quem quiser ver o que já foi postado anteriormente pode ir no www.enfoquejornalistico.com.br