Todos acompanharam a odiseia das buscas pela artista plástica Denise Ciunek, de 38 anos, que saiu no dia 19 de agosto para percorrer o Caminho do Itupava em um dia, mas não retornou para casa. Denise ficou 17 dias na mata e foi resgatada no último dia 5 de setembro, próximo à Represa Véu da Noiva. Para alguns que têm experiência no trecho, surgiram algumas dúvidas na versão da montanhista, ainda mais por ser divulgado que ela era uma pessoa com experiência nesse tipo de esporte e com um bom conhecimento do local.
Na última quarta-feira, a artista plástica recebeu alta e agora pouco - no começo da madrugada deste domingo, ela se pronunciou na comunidade do Orkut "Caminho do Itupava". Explicou a sua experiência e tentou responder algumas dúvidas levantadas. Confira, a seguir, o texto dela na íntegra - do modo como ela escreveu:
Olah!!
Participantes dessa comunidade.
Estou aqui para esclarescer que minha experiencia em relaçao a trilha é de dezenove anos,nunca fui de me aventurar por caminhos e nem seduzida por trilhas que nao sejam mapeadas ou bem sinalizadas,quanto a caminhar sozinha sou artista plastica gosto de desenhar em silencio e minhas caminhadas são de observaçao da natureza meu intuito na caminhada durante a semana é que assim os bichos se aproximam sem o barulho da tigrada que anda frequentando a trilha,meu sumiço sem deixar vestigios é que estava sendo atacada por um estuprador que consegui me livrar pois estava drogado,meu conhecimento sobre defesa pessoal me auxiliou,não podia nos primeiros dias deixar pistas,quando escapei dele desci para um rio que nao faz paret da trilha do itupava,não conhecia esse rio,caminhei alguns dias tentando encontrar referencias,ate que me instalei no lugar onde me resgataram tentei dois ataques pois escutava o trem mas quando chegava em um ponto o barulho cessava,quando vizualizei o ponto onde fui resgatada vi que realmente estava bem proxima a trilha mas o rio onde caminhei é um pouco afastado nunca havia percorrido nem me aproximado dele,e não enxerguei as pedras da trlilha,estava entre duas cachoeiras,barulho muito forte e vento muito forte,o lugar onde me instalei foi o único seguro longe de mamiferos e animais peçonhentos,cometi falhas de principiante como esquecer de levar fogo,me sinto mal por isso ,mas quero dizer a todos que minha paixao pelo Caminho do Itupava só aumentou vou fazer o diabo para que aquela regiao volte a nos proporcionar segurança para a pratica do esporte,qualquer dúvida ,podem me perguntar,estou aqui para esclarece-las
Obrigado
Denise
Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=2130789&tid=5515750928867581818&start=1
Na continuidade do tópico, um dos participantes da comunidade levantou uma questão pertinente, que ainda aguarda uma resposta de Denise: "Podemos dividir o Itupava em três segmentos: 1 - borda ipiranga 2 - ipiranga cadeado 3 - cadeado prainhas. Foi colocado pela imprensa que você foi abordada no início da trilha (onde?). Acredito que no 1º trecho. Você foi resgatada no 2º trecho. Para chegar lá, você teve que passar obrigatóriamente pelo trilho". Esta questão poderá responder algumas dúvidas sobre como ela se perdeu e permaneceu tão próxima do Caminho e do trilho.
Estou destacando este trecho da Denise, pois é um depoimento dado diretamente por ela. A Trilha necessita de um reforço na sua segurança, principalmente no primeiro trecho, que é um ponto de drogados e fugitivos. Nas imediações das Ruínas do Ipiranga é comum encontrar vestígios de usuários de crack. Eu mesmo já passei por algumas experiências perigosas passando pelo local. Quem sabe, esse caso sirva de alerta para aumentar a proteção desse caminho mágico e especial.
domingo, 12 de setembro de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Empresa capacita colaboradores e dá oportunidade de crescimento profissional
Empresa da região metropolitana de Curitiba doa bolsas do curso técnico de Mecatrônica para seus colaboradores, aumentando a capacitação profissional e resolvendo o problema de falta de mão de obra no mercado
Qualificação profissional é um item básico para crescer no mercado. Atualmente, o ensino médio é um degrau obrigatório e para ascender é necessário ter, no mínimo, um curso técnico. Exemplo que pode ser sentido nas empresas em geral. Com o mercado aquecido, está faltando mão-de-obra, como operadores de produção, técnicos e engenheiros.
A AAM do Brasil, empresa de autopeças com sede em Araucária, sente na pele a dificuldade de encontrar profissionais preparados. Boa parte das funções do Plano de Carreira da empresa, é essencial a presença de um curso técnico ou uma graduação (finalizada ou cursando) para passar de fase.
Pensando em preparar os colaboradores fabris para as oportunidades e proporcionar crescimento profissional, a AAM do Brasil distribuiu 45 bolsas para auxiliares e operadores de produção. Os colaboradores foram selecionados através de um processo com critérios que incluiu avaliação de desempenho, absenteísmo, tempo de casa e a busca pelo desenvolvimento através da participação em treinamentos e no programa de sugestões.
As aulas são realizadas no Colégio Técnico Industrial (CTI), em Araucária, uma escola que oferece nove cursos técnicos, ensinando 1.300 alunos. Segundo a diretora da instituição, Cíntia Aparecida Viesenteiner, é evidente que os alunos da AAM são bem dedicados e esforçados, reforçando a turma, que é uma das melhores do curso, sempre elogiada pelos professores. “Sempre estão atentos, são pontuais e educados, mostrando que são pessoas com o intuito de aprender. Isso é muito importante para vida deles”, elogiou Cíntia, completando que adicionado a todos esses fatores, tem a bagagem prática que eles trazem da empresa.
Para todos os selecionados, essa é uma oportunidade única que deve ser aproveitada. Caso do operador de produção sênior Amado Alves da Silva, que está há 20 anos na empresa. Seu primeiro emprego foi na Hübner e após a joint-venture, passou a ser colaborador da AAM, sendo este o seu único registro em carteira e, segundo ele, o seu último, pois não quer sair da empresa até se aposentar.
“O que faltava para a consolidação da minha carreira é a parte teórica, um curso que me capacite para colocar em prática junto com a minha experiência na produção. Como não tinha condições de pagar um curso técnico, essa bolsa foi importante, pois possibilita que eu aprenda mais e esteja preparado para as próximas vagas que irão surgir no Plano de Carreira”, diz Amado.
Uma coisa que ele sempre coloca para as pessoas que estão entrando na AAM do Brasil é que na carreira nada vem de graça, é preciso batalhar e fazer por merecer para conquistar um crescimento. Isso que chamou a atenção dele para se preparar e voltar às salas de aula. “Sempre procuro crescer e sei que o meu trabalho é reconhecido aqui, mas para oficializar isso, eu preciso me preparar para conseguir o que almejo”, completa. O operador é destaque na turma e foi lembrado pela diretora Cíntia, como uma pessoa animada, simpática e esforçada.
Segundo Joarce Fedorowicz, gerente de Gestão de Pessoas da AAM, o principal objetivo das bolsas é preparar uma equipe, aumentando o número de pessoas qualificadas. “O mercado está com uma carência de mão-de-obra, e a AAM está saindo na frente, preparando nossos colaboradores para crescerem junto com a empresa e levarem esse conhecimento para a vida profissional deles”, completa o gerente.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Carta do Zé agricultor para Luiz da cidade
Do http://www.ilhadaspecas.com.br/
Luis, quanto tempo! Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente. Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só à uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APA que criaram aqui na vizinhança. Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no IBAMA da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia... Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado, pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.
*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) *
"Na prática, a teoria é outra”
Luis, quanto tempo! Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente. Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só à uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APA que criaram aqui na vizinhança. Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no IBAMA da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia... Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado, pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.
*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) *
"Na prática, a teoria é outra”
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