| Créditos: Gabriel Hamilko |
Mas a principal lembrança é dos jovens pratas da casa com quem trabalhou no juvenil. Dois estão bem vivos na memória: o volante Willian e o lateral-esquerdo Lucas Mendes. Keirrison trabalhou com os atletas nas categorias de base e no profissional. Enquanto ele era o artilheiro, Willian e Lucas engatinhavam no time principal do Coxa.
Atualmente, Willian caminha para ser um ídolo da torcida e Lucas Mendes é valorizado, com uma pré-convocação para a Seleção Olímpica. Willian tem 22 anos e Lucas está com 21. Keirrison tem 23. Prova de que dá para voltar um pouquinho na carreira, esquecer o passado, se recuperar e em 2013 mostrar um bom futebol. Fingir que nunca saiu do Coritiba (a não ser levar as boas lições de fora) e resgatar o talento, que está guardado em algum lugar.
Keirrison é jogador para 2013. Por isso, a torcida deve ter paciência e aguardar com mensagem de motivação. Se entrar no segundo semestre, deve ser introduzido aos poucos no time titular.
A seguir, a entrevista exclusiva que fiz com K9, publicada neste sábado, no GLOBOESPORTE.COM.
GLOBOESPORTE.COM: De volta para o Coritiba, qual a sensação quando fez a volta olímpica, no intervalo do jogo entre Coritiba x Nacional-AM?
Keirrison: É um momento muito especial, fiquei até emocionado, pois eu vi o carinho de cada pessoa. Naquele momento procurei ver em crianças, adultos e idosos que estavam ali, um carinho por tudo aquilo que procurei fazer dentro do clube. Se pudesse agradeceria cada um, daria um abraço em cada pessoa que estava lá. São momentos que eu guardo para sempre e fico feliz de voltar para casa.
GE: Uma observação que o técnico Marcelo Oliveira fez era que, nos clubes anteriores faltou um brilho no seu rosto, e que encontrou quando te cumprimentou no vestiário do Couto Pereira. Você também notou a diferença?
Keirrison: Quando estive fora eu também via isso em mim. Acho que o negócio é conhecer os erros e o que está faltando, para que possa evoluir. Mostrar, não só no trabalho, mas na vida pessoal para que cresça. Eu observei isso, quando estava no Cruzeiro, que não estava me sentindo bem. Não pelo Cruzeiro, respeito o time e agradeço pela participação lá, mas não me senti alegre. Precisava de algo a mais. Mais forte. Depois que tive a lesão, pensei e pedi para conversar com o Coritiba, pois era um vazio e precisava da alegria de voltar a jogar e ter emoção de estar no lugar que gosto.
GE: Na sua carreira, qual é o maior arrependimento?
Keirrison: Não me arrependo de ter ido para o Barcelona, que era meu sonho de estar lá. As oportunidades não aparecem sempre, ainda mais com o Barcelona, que é o melhor do mundo. Acho que, se fosse hoje, repensaria o time que seria emprestado. Talvez não escolheria o Benfica, pois no grupo deles tinha muitos atacantes. Não dizendo que não conseguiria jogar ali, mas eram muitos atacantes que jogavam há um bom tempo. Então você precisa se adaptar, pois era o meu primeiro ano na Europa. Depois mostrar. No Benfica, eles não deram esse tempo. A adaptação foi muito complicada. Mas aprendi com isso e hoje estou com outro pensamento. A vida nos proporciona isso e procuro passar para os outros jovens, para que possa pensar bem e não cometer os mesmos erros pequenos.
GE: Como foi a sua chegada no Barcelona? Estava ciente dos processos que tinha que passar antes de entrar no time principal?
Keirrison: No Barcelona não pude ficar, pois ia entrar como estrangeiro no clube. Para participar das competições, pelo número alto, cada país da Europa tem um limite de estrangeiros e no Barcelona já estava ocupado. Quando fui contratado já sabia que não poderia. O que eu iria era ser emprestado e depois voltar. Agora é bola para frente. O Barcelona reconhece, eu sempre converso com o pessoal lá. São pessoas amigáveis e que torcem por mim. Na conversa que tive, quando pedi para voltar ao Coritiba, disse que aqui era a minha casa e na hora eles toparam. Eu tenho o prazer de ter participado do Barcelona.
GE: Apesar de você já saber do processo para jogar no Barcelona, o fato de não ter vagas não acabou te frustando?
Keirrison: Não me desanimou pois a confiança deles era muito grande em mim. Até porque eles não iriam contratar um jogador se não tivesse confiança. Sempre tem um pensamento com todos no grupo, para decidir em contratações. Quando eu soube, estava muito feliz por ser do Barcelona. A situação era clara. Não tinha como entrar sem vagas para o estrangeiro. Não tinha como ficar triste por isso. Talvez ficaria triste se tivesse a vaga e não entrasse, mas jamais fiquei triste. Era um sonho desde pequeno. São os dois clubes que carrego hoje no meu coração: o Coritiba e Barcelona. Hoje eu pertenço ao Barcelona e estou no Coritiba. Isso é muito grande para mim. Não tem preço.
GE: Após a sua passagem pela Europa, você decidiu retornar para o Brasil e foi anunciado pelo Santos. Foi uma maneira de voltar para casa, o país natal, e a primeira tentativa em retomar a carreira de algum ponto?
Keirrison: Foi um período que queria pegar ritmo. Precisava, pois no tempo que fiquei na Europa joguei muito pouco. Isso acaba quebrando o ritmo de atuar. É diferente treinar do que jogar. Decidi voltar para o Brasil. Foi bom o meu período no Santos, pois consegui recuperar o meu ritmo. Lógico, não foi no ritmo que gostaria, mas pude recuperar um pouco. No encerramento do contrato, tinha alguns clubes interessados, mas eu esperei dar um tempo e pintou o Cruzeiro. Escolhi o desafio. Tive uma boa oportunidade lá, mas não consegui ter um ritmo que tive até no Santos e depois aconteceu a lesão. Mas tudo tem um propósito na vida e era para eu estar aqui neste momento no Coritiba.
GE: Quando você chegou ao Santos, o Peixe vivia um bom momento, com o auge de Neymar e Ganso. Além da falta de ritmo, a grande disputa no ataque santista dificultou para você conquistar espaço?
Keirrison: Equipes como o Santos sempre brigam pelo título. Em três ano para cá, o clube cresceu muito. A briga por vagas é normal. No Santos foi o melhor período após o meu retorno ao Brasil. Foi ali que ganhei ritmo e recuperei de 0 para 9. Tive treinadores bons. O Muricy me ajudou muito e deu ritmo em treinamento e jogos. Isso me ajudou para voltar.
GE: Como foi a sua relação com os novos meninos da Vila, como Neymar e Ganso?
Keirrison: Foi bacana. São meninos e pessoas leves, que nunca arrumaram problemas. Cada dia eles aprendem mais. Tive o prazer de trabalhar e conhecer eles. Não é a toa que estão sempre brigando por títulos e merecem o que estão fazendo.
GE: O Neymar também passou por essa escolha em ir para o exterior ou não e optou por continuar mais um tempo no Brasil. Como você vê essa escolha?
Keirrison: Acho que cada pessoa vai ter o momento e ele sentiu que não era a hora. Se fosse para ele sair mesmo neste momento, faria a escolha certa. Mas tem que levar em consideração que tem a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e foi uma escolha dele continuar para valorizar mais.
GE: Após três anos, o retorno para o Coritiba. Qual a sua motivação para recomeçar?
Keirrison: A motivação é ter acertado com o Coritiba. Na quinta-feira, quando fui no Couto Pereira, participei da apresentação e depois a entrada no campo. Aquilo foi uma felicidade e prazer de estar em casa. A recepção maravilhosa da torcida. Não precisa mais motivação do que essa.
GE: Você se emociona quando cita o Coritiba e já disse que levou o nome do clube para cada país que passou. Como é voltar e reencontrar os amigos e conhecidos?
Keirrison: Desde que passei pelo Coritiba levei o clube com muito carinho, com muito prazer. Todos os meus amigos que trabalharam comigo sabem do carinho que tenho por aqui. Agora é dentro de campo. Entrar, fazer o melhor pelo Coritiba e honrar a camisa como sempre fiz.
GE: A principal pergunta que o torcedor coritibano quer saber. Quando o K9 estará pronto para voltar a vestir a camisa do Coritiba?
Keirrison: A gente já programa em julho. Lógico que não sabemos a data, mas em julho posso voltar aos coletivos. Lógico que é um processo dos coletivos, dos treinos, até os jogos. Até me adapatar me jogos vai levar um tempinho, mas estou tranquilo. O momento que tive no Coritiba antes foi um processo bom, mas o melhor de mim não chegou e está por vir. Estou ansioso para que esse momento chegue.
Keirrison realizou o sonho de menino, mas não
Keirrison com Madson e Robinho, na concentração
Apesar de toda experiência, K9 não perdeu o jeito de moleque (Foto: Gabriel Hamilko)