domingo, 12 de setembro de 2010

Um caminho de incertezas

Todos acompanharam a odiseia das buscas pela artista plástica Denise Ciunek, de 38 anos, que saiu no dia 19 de agosto para percorrer o Caminho do Itupava em um dia, mas não retornou para casa. Denise ficou 17 dias na mata e foi resgatada no último dia 5 de setembro, próximo à Represa Véu da Noiva. Para alguns que têm experiência no trecho, surgiram algumas dúvidas na versão da montanhista, ainda mais por ser divulgado que ela era uma pessoa com experiência nesse tipo de esporte e com um bom conhecimento do local.

Na última quarta-feira, a artista plástica recebeu alta e agora pouco - no começo da madrugada deste domingo, ela se pronunciou na comunidade do Orkut "Caminho do Itupava". Explicou a sua experiência e tentou responder algumas dúvidas levantadas. Confira, a seguir, o texto dela na íntegra - do modo como ela escreveu:

Olah!!


Participantes dessa comunidade.


Estou aqui para esclarescer que minha experiencia em relaçao a trilha é de dezenove anos,nunca fui de me aventurar por caminhos e nem seduzida por trilhas que nao sejam mapeadas ou bem sinalizadas,quanto a caminhar sozinha sou artista plastica gosto de desenhar em silencio e minhas caminhadas são de observaçao da natureza meu intuito na caminhada durante a semana é que assim os bichos se aproximam sem o barulho da tigrada que anda frequentando a trilha,meu sumiço sem deixar vestigios é que estava sendo atacada por um estuprador que consegui me livrar pois estava drogado,meu conhecimento sobre defesa pessoal me auxiliou,não podia nos primeiros dias deixar pistas,quando escapei dele desci para um rio que nao faz paret da trilha do itupava,não conhecia esse rio,caminhei alguns dias tentando encontrar referencias,ate que me instalei no lugar onde me resgataram tentei dois ataques pois escutava o trem mas quando chegava em um ponto o barulho cessava,quando vizualizei o ponto onde fui resgatada vi que realmente estava bem proxima a trilha mas o rio onde caminhei é um pouco afastado nunca havia percorrido nem me aproximado dele,e não enxerguei as pedras da trlilha,estava entre duas cachoeiras,barulho muito forte e vento muito forte,o lugar onde me instalei foi o único seguro longe de mamiferos e animais peçonhentos,cometi falhas de principiante como esquecer de levar fogo,me sinto mal por isso ,mas quero dizer a todos que minha paixao pelo Caminho do Itupava só aumentou vou fazer o diabo para que aquela regiao volte a nos proporcionar segurança para a pratica do esporte,qualquer dúvida ,podem me perguntar,estou aqui para esclarece-las


Obrigado


Denise
 
Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=2130789&tid=5515750928867581818&start=1
 
Na continuidade do tópico, um dos participantes da comunidade levantou uma questão pertinente, que ainda aguarda uma resposta de Denise: "Podemos dividir o Itupava em três segmentos: 1 - borda ipiranga 2 -  ipiranga cadeado 3 - cadeado prainhas. Foi colocado pela imprensa que você foi abordada no início da trilha (onde?). Acredito que no 1º trecho. Você foi resgatada no 2º trecho. Para chegar lá, você teve que passar obrigatóriamente pelo trilho". Esta questão poderá responder algumas dúvidas sobre como ela se perdeu e permaneceu tão próxima do Caminho e do trilho.
 
Estou destacando este trecho da Denise, pois é um depoimento dado diretamente por ela. A Trilha necessita de um reforço na sua segurança, principalmente no primeiro trecho, que é um ponto de drogados e fugitivos. Nas imediações das Ruínas do Ipiranga é comum encontrar vestígios de usuários de crack. Eu mesmo já passei por algumas experiências perigosas passando pelo local. Quem sabe, esse caso sirva de alerta para aumentar a proteção desse caminho mágico e especial.