Um ano após ganhar de presente de aniversário, comecei a ler o romance histórico Caçando Rommel, de Steven Pressfield. Para quem não sabe, esse personagem da história foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Mais sobre a interessante história dele aqui.
Pressfield usa do passado pessoal dele próprio para dar base ao enredo do livro, dando a eterna impressão de que realmente aconteceu. Se depender da cronologia que ele mostra nas primeiras páginas, o personagem principal é um tutor do escritor no mundo literário.
Antes de começar a batalha em si, o autor apresenta o personagem, convidando o leitor a se aprofundar um pouco mais no mundo do inglês Lawrence Chappman. Como todo o romance precisa de uma história romântica para "fazer algum sucesso" (não que eu concorde com a teoria), o capítulo inicial proporciona isso. O começo de uma bela história de amor em que o patriotismo e a guerra separam e colocam em risco.
Na verdade, a introdução contribui para um começo mais suave, pois o escritor gosta de ser detalhista. Todos os batalhões apresentados e locais são reais. Comprovei isso depois no Google Maps (a maioria existe até hoje). Todo o detalhismo e perfeccionismo atrapalha um pouco a leitura, principalmente quando ele tenta explicar o funcionamento dos canhões, bombas ou outras parafernálias de guerra.
Por causa disso, quando Chappman vai para o campo de batalha, o leitor demora um pouco para pegar no tranco, correndo um grande risco de desistir no meio do caminho. Mas a história do GLAD (Grupo de Longo Alcance do Deserto) prende mais do que a vontade de desistir, principalmente para quem gosta de história, geografia e aventuras.
Falando em gosto por geografia, uma coisa que senti muita falta foi de alguns mapas. Já que Pressfield quer ser tão detalhista nos locais também e cita vários desertos e vilas, seria legal ter um mapa com a trajetória percorrida no Norte da África pelo pelotão especial inglês. Várias vezes precisei recorrer ao Google Maps, pois sou um tarado por localizações exatas.
Em geral, é um livro que vale a pena ser lido, principalmente por quem gosta da Segunda Guerra Mundial. Até mesmo pelo fato de que poucos autores usam a campanha no Norte da África como locação. No final das contas é um daqueles livros que quando a leitura chega no final, começa a dar uma tristeza. Isso é o que importa...
Mais curiosidades bacanas sobre como o autor escolheu o assunto, aqui.
Curiosidade pessoal: Na ingenuidade de aproveitar as três horas que ficaria na fila e marcando um lugar na frente da Pista 2 para assistir o show do Pearl Jam, eu levei o livro para passar o tempo. Não sabia que era proibida a entrada de livros, revistas e jornais. O segurança viu na hora da revista e disse que eu teria que "guardar" em uma caixa de livros, junto com latas de cerveja e garrafas de refrigerantes. Pensei em tentar enganar o cara, mas ele estava de olho. Quase joguei fora, quando estava na metade do livro. Mas uma ideia me ocorreu. Deixei com a senhora do carrinho de pipoca que estava ali na entrada. Na saída peguei novamente, são e salvo, e retribuí a alma caridosa que salvou meu livro!

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