A maioria dos curitibanos têm consciência da importância dos radares e costumam respeitar a velocidade permitida nas vias de trânsito da capital, mas na hora de saber o que acontece com o dinheiro arrecadado pelas multas, boa parte não têm idéia de qual é destino.
Esse é o resultado de um levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisa, nos dias 21 e 22 de março, que ouviu 484 habitantes de Curitiba, com idade superior a 18 anos.
O objetivo da pesquisa foi avaliar qual é o conhecimento dos curitibanos em relação aos radares instalados na cidade. O resultado mais significativo foi o desconhecimento da população sobre o destino das verbas oriunda das multas.
Somente 16% do total dos entrevistados sabem, enquanto, 84% não têm ideia do caminho do dinheiro, após o momento em que o motorista quita a sua dívida junto ao órgão responsável. O desconhecimento é maior entre as mulheres (87%) do que entre os homens (80%).
Mas questionados sobre o que deveria ser feito com o dinheiro das multas, 25% dos entrevistados escolheriam aplicar na construção de novos postos de saúde, seguido de melhorias nas ruas (21%) e na redução da tarifa de ônibus (18%).
Segundo o presidente da Urbs, Marcos Isfer, todo o dinheiro proveniente do pagamento das infrações é aplicado em um fundo especial, criado para a manutenção da sinalização das vias, pagamento dos agentes e conscientização das pessoas, principalmente nas escolas e através de campanhas.
“Além desses fatores, é retirado de cada multa um valor de R$ 6,18 que é transferido para os Correios”, complementa Isfer. Anualmente, a Urbs arrecada aproximadamente 40 milhões de reais em infrações de trânsito.
Número que poderia ser bem maior se não fosse um aspecto positivo: a preocupação dos curitibanos em respeitar os limites das vias fiscalizadas pelos radares. O levantamento aponta que entre os entrevistados que dirigem atualmente (43% dos entrevistados), 64% não foram multados nos últimos dois anos.
“Quando, na Urbs, levantamos o número de pessoas que têm multa por infração, dá um resultado de 12% do número total de veículos. Isso surpreende, pois fica claro que a grande maioria dos motoristas procuram andar dentro do limite estabelecido nas vias”, afirma o presidente da instituição.
Além de obedientes, a pesquisa aponta outras características de boa parte dos curitibanos, como a opinião sobre os 119 radares instalados: 68% são a favor, 27% são contra e 4% indiferentes. Porém, a aceitação é maior entre os pedestres, com 75% de aprovação, enquanto, entre os motoristas o índice cai para 59%.
Em relação aos critérios legais para a Prefeitura colocar os radares nas vias públicas, a opinião dos entrevistados é negativa: 56% não concordam com os métodos, enquanto 30% acham que são corretos e 14% não souberam opinar.
O gerente de Recursos Humanos, Fábio Teixeira, é um dos que não concordam com o modo como os radares são instalados. Para ele, o objetivo atual não é educar e punir, mas de manter uma indústria da multa. “Muitas vias rápidas chegam a ter quatro radares seguidos, em cinco quadras, sendo que alguns não estão com a sinalização adequada”, afirma Teixeira.
A diretora de trânsito, Rosângela Battistella, explicou, no plenário da Câmara Municipal, que “a escolha dos locais de colocação dos radares, obedece a critérios da legislação nacional, onde se levam em conta os riscos potenciais à vida humana”.
Fábio mora em Almirante Tamandaré e, tanto ele, como sua esposa, trabalham na região sul de Curitiba. Todos os dias, os dois precisam atravessar a cidade, utilizando as principais ruas de ligação, se encaixando no perfil revelado pelo levantamento.
Mesmo tendo levado uma multa na última semana, Teixeira é a favor dos radares, desde que sejam bem sinalizados e em locais visíveis, pois assim garante uma maior segurança, tanto para os motoristas, quanto para os pedestres.
Porém, assim como identificado na pesquisa, ele não soube explicar para onde vai o dinheiro arrecadado com as infrações. Dúvida aumentada após as últimas denúncias envolvendo a administração dos radares em Curitiba, que era feito até o começo da semana pela Consilux.
“Acredito que essa é uma dúvida compartilhada com muitos curitibanos, pois os resultados não são tão satisfatórios. Acredito que ainda tem muita coisa para melhorar nos investimentos, principalmente na melhoria das ruas e nas campanhas de educação no trânsito”, conclui o gerente.
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